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Masturbação feminina ainda é tabu? Ah, SE TOCA!

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Masturbação feminina ainda é tabu? Ah, SE TOCA!

É uma tremenda ironia que a mulherada fique “cheia de dedos” para falar sobre siririca, ao invés de usá-los com orgulho em busca do prazer solitário. O pudor está, antes de tudo, nas palavras: masturbação agora é chamada de autoerotismo por estudiosos. Isso porque, em pleno século XXI, ainda há quem considere o comportamento como algo sujo e inadequado e proibido. Enquanto os homens já estão com L.E.R. (lesão por esforço repetitivo) nas mãos, nós nos deixamos censurar. Um bom exemplo rolou na semana passada, quando a marca de lingerie Duloren lançou a campanha “Eu me amo”.

Duloren

A campanha da Duloren gerou polêmica por sugerir a masturbação feminina

Mash

Por que um outdoor provocante como esse, da Mash, não causa o mesmo rebuliço?

Na ~ousada~ peça publicitária, a modelo insinua dois dedos por baixo da calcinha de renda. Gente chocada criticou nas redes sociais tamanha “vulgaridade” – li comentários sugerindo ao CONAR, órgão regulador da propaganda, que proíba sua veiculação. A vasta maioria dos internautas, para meu alívio, aplaudiu a iniciativa e lembrou como somos hipócritas. Por que a imagem de uma mulher explorando o próprio corpo escandaliza as pessoas, mas um outdoor provocante como esse da marca de cuecas Mash não causa tanto desconforto? Porque a gente vê (e pratica) o sexo com muito mais naturalidade do que a masturbação.

O que ME CHOCA é saber que 53% das brasileiras solteiras entre 18 e 25 anos jamais tocou uma siririca. Os dados são da pesquisa Mosaico Brasil, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, do Programa de Estudos em Sexualidade da USP. Foram entrevistadas mais de oito mil pessoas. Apenas 4,2% dos homens na mesma faixa etária e estado civil responderam “nunca bati punheta”. Isso significa que eles se tocam TREZE VEZES MAIS do que nós – portanto, muito provavelmente, estão tendo bem mais orgasmos. Cadê manifestação nas ruas contra essa desigualdade de gênero? Eu levo os cartazes #vemprarua #setocanua #ogozoéseu. 

Recebo e-mails de mulheres que tem vergonha de sequer olhar a vagina (aliás, vocês viram esse vídeo?), que não sabem onde fica o clitóris ou para que serve aquele botãozinho no alto da vulva, que suam de nojo com a ideia de botar o dedo ali. Elas não sabem do que gostam, como gostam, onde gostam. Uma leitora do meu blog contou sobre sua “técnica” de cruzar as pernas e se balançar para sentir “tremeliques gostosos” por alguns segundos. Outras dezenas reclamam de fingir orgasmos, sem nunca tê-los experimentado de verdade, para agradar o parceiro. Nos chás de lingerie que realizo, as convidadas perguntam sem pudores sobre sexo oral e anal, mas coram inteiras quando falo sobre a importância da masturbação.

Pesquisa

Pesquisa da Universidade de Indiana (2009): “Com que frequência você se masturba?”

Incrível como, para nós, o ato de se tocar é carregado de contextos culturais, históricos, morais e religiosos. As meninas nascem com uma ~misteriosa~ genitália voltada para dentro, crescem ouvindo “tira a mão daí, que coisa feia!”, são educadas para casar e cuidar da família – não para ter prazer. Já os meninos brincam e coçam o pênis desde muito cedo, manuseiam-no o tempo todo para fazer xixi, ganham revistas e se trancam no banheiro, consomem pornografia com ou sem namorada(o). Eles têm intimidade com eles mesmos. Do outro lado, ginecologistas contam da dificuldade de algumas pacientes em passar um creme vaginal, colocar uma camisinha feminina ou um absorvente interno.

Outra pesquisa, desta vez realizada pela Universidade de Indiana com mais de 5 mil participantes, mostrou que a maioria das mulheres não se masturba há pelo menos um ano. Em comparação, os caras fazem isso algumas vezes por mês ou semana. Uma sexualidade saudável e satisfatória depende muito de entender como o nosso organismo reage aos estímulos – e ensinar esse beabá ao(s) outro(s). A boa notícia é que punheta ou siririca independem de estado civil! Solteiros(as) se divertem sem precisar de ninguém, casados(as) até reanimam a libido adormecida. Por favor, SE TOCA, nos dois sentidos. Você é dona do seu prazer.

* Leia mais:

– Você tem intimidade com a sua vagina?

– “Namoro há nove anos, vou casar, mas nunca tive orgasmos com ele”

– Minha filha de quatro anos se masturba. Como lidar?

– “É normal não ter orgasmo vaginal?”

– Turbinaram o dedo de moça

– “Quero comprar meu primeiro vibrador. Me ajuda?”

– A arte de tocar a campainha: o orgasmo clitoriano

 

Aqui, um clipe sugestivo da cantora Miley Cyrus:

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Comentários
  • ÓTIMO texto! Parece que a inspiração voltou depois das bolachinhas, né? hahaha. Brinks.
    Acho a maior besteira do universo masturbação ser tabu! Ultrapassa a hipocrisia. Como diz uma amiga “essas mulheres tão com muito excesso de pudor”. Parece que elas realmente acreditam que sexo não é uma coisa de mulher. E ao mesmo tempo ficam essa busca insana por namorado só pra “não ficar pra titia”. Parece uma obrigação social, mais do que qualquer coisa. E aqui no interior, mesmo em cidades grandes como a minha, isso ainda é muito, muito forte. Cresci numa cidade assim e tive que lutar (ainda luto) muito pra me sentir bem com relação a mim mesma e à minha sexualidade, que – assim como todos os outros âmbitos da minha vida – não tem nada “selado, carimbado, autorizado”. Queira eu ou não.

    Achei incríveis as estatísticas também. Invista nelas sempre, porque parece que elas são sempre chocantes mesmo, né? E por mais críticas que eu tema a essa metodologia, em alguns temas elas ajudam e muito a tornar bem clara a situação. Também achei muito boa essa propaganda da Duloren. Por vários motivos! Mas o que mais me vem a cabeça é essa coisa também bem babaca das mulheres solteiras ficarem de mimimi nesse dia e transformar um feriado numa crise. Acho que podia rolar um texto sobre isso também, fikdik.

    Só uma coisa: o link vídeo ali sobre ver sua vagina não tá funcionando, não sei se você viu.

    Sempre uma delícia vir curtir seus posts! 😉
    Beijo, gata!

    10 de junho de 2014
      • Fico feliz de verdade, Nath! Pelo pouco que te conheço – através dos textos – acho que a gente tem um bocado de coisa pra trocar. Tô arquitetando aqui uns projetos e queria muito te enfiar um pouquinho nele pra dar um toque apimentado, rs. Mas assim que eu organizar isso te faço o convite oficial e conto tudo 😉

        Ah, outra coisa sobre masturbação: é um ótimo remédio pra cólica menstrual. Se tantas mulheres assim não se masturbam, acho que menos ainda sabem dessa “mágica”. E desencana que o link tá funcionando sim. Tentei clicar antes e não tinha ido, mas acho que foi falha minha mesmo, rs.

        Beijos!

        10 de junho de 2014
  • Valeu, meus tabus sempre diminui com você e sua maneira de me ajudar a ver as coisas dos melhores jeitos e não como fui educada! Bjus!

    20 de julho de 2014
  • Aviso aos homens : Experimenta aprender a mamar uma xoxota (leia massagear o clitoris com a lingua). Mas isso é só para aquecer e aprender a não ter nojo. Entenda que se uma mulher tem sensibilidade nos seios e você ao mesmo tempo massagear seu clitoris com os dedos, o sangue vai preencher o clitoris, ele vai ficha inchado e ela vai gozar e muito e você vai sentir isso em seus dedos. Penetração é bom, mas punheta apaga o fogo.

    Fazer uma mulher gozar e tremer é a melhor sensação do mundo. É o que diferencia o amador do profissional. É o que vai fazer a mulher querer mais. É o que vai fazer inclusive os meninos mais novos perderem o nojo da mulher (e tem muito).

    Na minha padronização feminina orgástica : Não mais do que 7 minutos de boca no peitinho e dedo no grelinho e muitas moças que nunca tiveram um orgasmo se libertam da escravidão da falta de orgasmo.

    16 de maio de 2015

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