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Suíte Cinquenta Tons de Cinza – eu fui!

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Suíte Cinquenta Tons de Cinza – eu fui!

Não tenho nada de Anastasia Steele, a personagem do fenômeno “Cinquenta tons de cinza”. Aos 22 anos, ela é uma virgem que nunca se masturbou e se envolve com um executivo multimilionário. Naquela idade, eu já estava beeeem distante da minha primeira relação sexual, sabia a importância de me dar prazer sozinha, havia me apaixonado por caras que me levavam pra passear de buzão e rachavam a conta do boteco. Também nunca permiti que qualquer Christian Grey me dissesse quais roupas e amigos deveria evitar – chamo isso de possessividade e violência psicológica. Então por que, assim como milhões de mulheres independentes que leram o livro, a fantasia da submissão (na cama, gente, SÓ NA CAMA!) me parece tão excitante? Talvez porque temos responsabilidades demais, tarefas demais, decisões demais.

o sofá

A “suíte da dor” foi inspirada no quarto em que Anastasia realiza os fetiches do sádico Grey. Foto: divulgação.

Não falta pressão pra que você seja a melhor mãe do mundo, a profissional bem-sucedida, a dona de casa exemplar, a gostosona da academia, a aluna aplicada, a filha atenciosa, a esposa sexualmente interessada, a amiga disponível. Carne ou massa pro jantar? O relatório pro cliente deste ou daquele jeito? “Mãe, salsicha se escreve com S ou Ç?”. Trezentas abdominais ou drinques com a turma da faculdade? Demite a funcionária ou dá mais uma chance? Depilação à cera ou com lâmina mesmo? Não entrar no cheque especial este mês ou pagar o condomínio atrasado? Jornal Nacional ou programa de moda? Prefere trepar de quatro ou por cima? Estar no controle o tempo todo cansa. Muito. De vez em quando, é um alívio entregar o comando do sexo ao outro. Dizer “hoje você pode fazer o que quiser de mim”, sabe? Desde que isso signifique, ÓBVIO, orgasmos mútuos e respeito aos limites de cada um.

o gaveteiro

Acessórios como chicotes, chibatas, algemas e venda ficam disponíveis na suíte (Foto: divulgação).

Foi com essa proposta que convidei meu marido pra uma noite na Suíte da Dor, do motel Classe A, em São Paulo. Ontem ele chegou do trabalho fazendo graça com a ideia de me torturar: arrancou o cinto da calça e chicoteou o colchão. Caímos na gargalhada: um pouco porque a gente tem mania de tornar tudo motivo de piada, outro tanto porque ele teria tirado uma lasca da minha bunda com aquela força. E eu não vim ao mundo com bunda sobrando… “Cadê seu helicóptero pra nos levar até a Mooca?”, provoquei, fazendo referência a um trecho do livro. “Só tenho pintocóptero, serve?”, respondeu, me devolvendo à nossa realidade-classe-média. A Suíte da Dor, construída pela bagatela de R$ 35 mil, foi inspirada no quarto em que Anastasia se rende aos fetiches sádicos de Christian.

Paredes vermelhas, uma grande cama com dossel de madeira e correntes de aço, um sofá de couro cor de sangue, gavetas fakes ornadas por chicotes e chibatas, venda de veludo, um enorme “X” com algemas para punhos e tornozelos, uma espécie de gradil no teto para amarrar a(o) parceira(o). Os detalhes da decoração se assemelham mesmo à descrição que eu lembrava do livro. Aliás, há um exemplar na cabeceira da cama, visivelmente folheado à exaustão. A diferença é que eu imaginava um espaço mais amplo, parecido com as dimensões do andar inferior da suíte, equipado com piscina e hidromassagem. Estava distraída quando senti um estalo arder minha lombar. “Aaaaai, doeu!”, disse. Era Felipe brincando de testar o efeito de uma chibata em mim. “Calma que eu tô calibrando ainda” (HAHAHA).

o x

O “X” da questão: para algemar punhos e tornozelos do(a) parceiro(a). Foto: divulgação.

Abrimos um vinho e decidimos jantar. Meu marido quis saber se o livro mencionava os pratos que o casal gostava de comer. “Não, amor, ele só se comem”, expliquei. Então ele pediu um ~mignon a gaúcha~ que vem com fritas e vinagrete. Pensei: a) sexy, só que não; b) definitivamente Felipe não entende nada de Christian Grey. Ledo engano. Garfei uma batatinha dele, que interpretou um olhar maquiavélico. “Se você ousar pegar mais uma, vou te deixar de castigo pendurada naquele troço e te encher de palmadas” (HAHAHAHAHAHAHA). A gente bem que tenta levar as coisas a sério, mas sempre acaba passando mal de rir. Não vou contar como aproveitamos a Suíte da Dor porque isso aqui não é conto erótico (mas você pode ler alguns se inscrevendo na seção HOT do blog). Só sei que, antes da uma da madrugada, desmaiei de sono – frustrando a expectativa dele por fortes emoções até o amanhecer. Eis que sou acordada assim… “Linda, acho que você errou de história”, disse. “Você como Anastasia tá mais pra Bela Adormecida”. A vida como ela é.

Ficou curioso? Motel Classe A (São Paulo capital) > Suíte da Dor > R$ 275, período de 12 horas.

*LEIA MAIS:

– Em julho/2012, escrevi a reportagem capa da revista Época sobre o fenômeno “Cinquenta Tons de Cinza”. Você pode ler aqui.

– Motel Design: pra deixar o preconceito de lado e transar bonito.

– “Como explico pra outra mulher que queremos um ménage com ela?”

– Como a falta de água vai afetar a sua vida sexual.

– Sexo anal: a lição das tartarugas para os homens.

– “É normal não ter orgasmo vaginal?”

 

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