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O homem e o pênis, uma história de amor

Pixabay @tookapic

Desde que não usa mais fralda, o menino e seu pênis crescem olhos nos olhos. A anatomia masculina praticamente força essa intimidade. Brota entre as pernas, ao invés de nascer escondido como uma vagina. O menino toma banho, faz xixi, troca de roupa… e lá está a criatura que, de tanto observar, considera tão natural quanto um pé. Não existe nenhum pudor: ninguém lhe diz “tira a mão daí”.

O menino pega, o menino coça, o menino analisa, o menino exibe, o menino acha graça, o menino bota a mão dentro da cueca enquanto assiste desenho animado, o menino mira e chacoalha na privada, o menino baixa a “pelinha” pra lavar direito e não ficar fedido. O menino descobre o próprio corpo com incentivo e permissão das pessoas que o amam – e que serão suas referências por toda a vida.

À medida que o menino espicha pra cima, o pênis também ganha centímetros. Os pais se orgulham. Chega a puberdade e ele já sabe que, pra aumentar ainda mais seu pênis, basta tocá-lo de um jeito gostoso. Sai um líquido diferente, mas ele não tem nojo. Os pais se dão conta. O menino agora é garoto porque passa muito tempo trancado no banheiro. Os amigos falam sobre o assunto. Então não sente vergonha, é normal, todo mundo faz.

O garoto vira homem. Assiste bastante pornografia. Vai pro sexo empunhando seu pênis como protagonista. Confia que, sem ele, não existe sexo. É o vaivém de seu pênis num orifício que dá prazer ao outro. Dedo e língua são coadjuvantes desnecessários, aposta. Mas o relacionamento entre o homem e o pênis sofre abalos de vez em quando. Principalmente se ejacula rápido ou amolece. Mas tudo bem… toda história de amor tem seus altos e baixos.

A mulher não sabe o que é isso. Nunca teve uma história de amor com sua vagina. O mundo conspira contra elas. Desde que não há mais fralda, a menina continua sem “nada” entre as pernas. Enxergar a própria vagina é como fazer contato visual com as amígdalas. A anatomia não colabora. O espelho, sim. Mas quantas vezes por ano fica cara a cara com sua vagina em todo esplendor? A menina bota a mão na vulva, toma bronca, “é feio”. As pessoas ensinaram que a menina e sua vagina devem ser distantes.

A menina cresce e sua vagina ainda é um mistério. Ela vira garota e não sabe que o buraco por onde sai o xixi não é mesmo da menstruação. A garota tem nojo do sangue e das secreções de sua vagina. Ninguém fala com ela dessas coisas. Nenhuma amiga conta que é uma delícia tocar o clitóris (clitóris?). A garota não se masturba, a garota não tem ideia de como gosta, a garota acha meio constrangedor abrir os lábios para passar o sabonete.

A garota vira mulher e vai pro sexo como quem joga na loteria – conta com a sorte pra chegar ao orgasmo. Na maioria das vezes não chega e se conforma. A mulher prefere que não se aproximem de sua vagina com a boca e o nariz. Ela não se sente confortável com o que sai dali… O cheiro, os pelos, as dobras, o gosto. A mulher e sua vagina merecem um romance. Apenas tirem o dedo da vida delas.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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Comentários
  • Que texto interessante.
    Realmente a realidade é essa.
    Enquanto nos meninos/homens vivemos sem nenhum pudor diante de nosso amiguinho, as mulheres, infelizmente, desconhecem a sua intimidade.
    Os meninos desde sempre se masturbam.
    As meninas acham isso um absurdo quando perguntado: você se masturba? Inclusive já fiz esse teste com minha namorada e a caraa dela de reprovação já me disse tudo
    Como o universo dos homens e totalmente diferente do das mulheres.
    Uma dica: se masturbem mais. Garantia de felicidade ou pelo menos alivio momentâneo.
    E não se esqueçam de fazer sexo também, isso tem excelentes resultados
    Fica a dica!

    19 de julho de 2017
  • Apagaram meu comentário.
    Se foi ofensivo ou fugiu às regras do site, peço desculpas.

    23 de julho de 2017

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