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“Meu marido propôs sexo a três – e foi incrível”

Sexo a três talvez seja o fetiche dos fetiches. Repare na quantidade de filmes pornô com duas mulheres e um homem (sim, o mundo ainda é machista). Propus a um jovem casal que me contasse como foi viver essa experiência. Eu estava mais interessada em entender a negociação emocional dos dois do que revelar os detalhes da transa em si – quem lambeu o quê e se alguém caiu da cama. Até porque, para ter uma ideia de como rola um ménage, há um cardápio infinito de vídeos na internet. Mas como se propõe isso ao outro? Como esse outro reage, que inseguranças tem, como se dá a escolha do terceiro elemento e a abordagem para o convite? Eles toparam responder minhas perguntas e aqui está uma deliciosa entrevista. Humana, sincera, totalmente fora dos estereótipos. Ela é uma professora de 25 anos e ele, um jornalista de 30. Casados há três. Ela nunca tinha experimentado um ménage à trois. Ele já, uma única vez. Prestem atenção, nas entrelinhas, na cumplicidade desse casal. Na capacidade de dividir fantasias, de respeitar o tempo e os limites do outro… Não mexi em uma vírgula do email que eles me enviaram, também não tive coragem de cortar o longo texto – o depoimento em duas perspectivas vale cada linha.

– Quem tomou a iniciativa e começou com as fantasias que incluíam uma terceira pessoa?

ELA: Tudo começou quando contei a ele que sentia atração por mulheres e que já havia ficado (apenas beijo e amasso) com uma menina. Eu tinha muuuuita curiosidade de transar com mulher. Na adolescência assistia filmes lésbicos, que sempre me excitavam. Assistíamos filmes pornôs quando namorávamos e foi nessa época que fantasiamos com a ideia. Mas eu sempre fui muito travada para verbalizar sacanagem, ele quem me iniciou e me deixou à vontade para expor minhas fantasias (por isso a importância de ter um parceiro bem resolvido que não reprima a mulher). Para ele, pensar que eu sentia atração por mulheres sempre o excitava bastante. Transar com uma mulher simbolizava pra mim auto-conhecimento, sentia a necessidade de saber se eu realmente gostava “da fruta” ou se era modinha ou fogo momentâneo. Ele até brincava dizendo: você só vai saber se realmente gosta depois de provar. O assunto do ménage foi plantado por ele, que tinha mais experiência de vida e sempre me estimulava a falar mais e mais.

ELE: Na verdade eu sempre estimulei o diálogo aberto, afinal melhor saber a verdade do que ficar escondendo desejos, fantasias e vontades e se houver problemas, que sejam resolvidos na conversa. Bem, isto a encorajou a falar e se soltar mais e se me lembro bem a primeira inserção do assunto veio dela, fantasiando com uma amiga próxima. A situação foi interessante porque ela mesma morreu de ciúmes de uma coisa que foi sugerida pela própria. Este contexto foi ganhando suavidade ao longo do tempo e naturalidade nas fantasias e nas coisas que eram faladas ao pé do ouvido na hora do sexo. A vontade foi aumentando com tempo e de uma forma natural.

– Rolou uma coisa de “convencer o outro”? Qual a reação inicial à ideia (medo, nojo, excitação etc)?

ELA: Ele sempre foi muito confiante e tentava me tranquilizar com relação aos meus medos (não sei se isso foi uma técnica de persuasão inconsciente). Ele também tinha alguns medos e vejo que isso tudo só deu certo porque conversávamos MUITO. O principal receio de ambas as partes era sentir ciúme no meio da transa. Com o tempo isso foi mudando e a vontade de me ver realizando essa fantasia se sobrepôs ao medo de sentir ciúme. Interessante como o diálogo traz uma segurança e essa sensação de ameaça que o ciúme provoca acaba perdendo a força. Nossos medos: de sentir ciúme e brochar por isso, de fazer com uma pessoa que se apaixonasse e ficasse no nosso pé, de escolher a pessoa certa, de fazer com uma amiga e perder a amizade, de que nosso sexo (a dois) perdesse a graça e virássemos um casal porra loca, eu tinha medo de não gostar de perereca e desencantar com uma fantasia que me estimulava sexualmente. Por outro lado ele tinha medo de eu gostar muito de mulher e trocá-lo. Mas como eu disse, nada como o diálogo.

ELE: Realmente rolou..(risos). Ela é insegura e muito indecisa então hoje quer e amanhã não quer mais, o que deixa o terreno totalmente instável, visto que uma coisa assim tem e deve ser planejada ainda mais se tratando de primeira vez. Acho que homem é mais irresponsável e inconsequente no quesito putaria, mais livre (risos), vai lá, faz e deixa pra se arrepender depois, o que é meio irônico porque as mulheres, sempre mais emocionais, ficam racionalizando demais pra tomar uma decisão nesse tema. No fundo ela queria, porém, tinha um monte de receios que aquilo pudesse estragar o relacionamento. Eu também tinha, mas acho que tenho um nível de maturidade nesse aspecto que ajuda muito. Temos que saber dividir as coisas e resolver no diálogo cada uma delas. Decepções teremos sempre, é a vida, então já que era uma situação que os dois queriam muito, mas não tinham encorajamento pra tocar em frente, melhor decidir por fazer e se algo sair errado resolver pela conversa e tentar entender os pontos de cada um e resolver. Eu procurei então estimular as situações, porque a gente só faz aquilo que a gente se imagina fazendo, pois então vamos imaginar todas as situações possíveis (risos), amigas, colegas, artistas, famosas, enfim, uma delas tinha certeza q surgiria oportunidade.

– Demorou até concretizarem o fetiche? Vocês escolheram alguém aleatoriamente ou discutiram sobre quem poderia ser?

ELA: Demorou. Eu sempre usava a desculpa: somos casados, teremos muito tempo pra realizar isso (por conta dos meus medos, eu me sabotava). Ele sempre falava sobre isso, às vezes em tom de brincadeira. Mas não forçava a barra tentando me convencer. O assunto sempre ficava no ar.
Discutimos sobre quem poderia ser. Tenho amigas lésbicas e quase rolou com uma delas (quando ainda namorávamos), mas eu fiquei insegura e brochei após conversarmos com ela. Acho que porque eu não sentia taaanta atração e não confiava 100%. Ele ficou meio chateado pois criou uma expectativa, o assunto ficou suspenso por um tempo. Após 1 ano e pouco, já casados, o fogo ressurgiu e ele sugeriu uma amiga que ele havia ficado quando era solteiro.

ELE: Muito! (risos) Tinha uma amiga que parece que captou a energia dessa nossa indecisão e numa dessas conversas de bar, com álcool e tudo mais, ânimos soltos, bem a conversa foi por este lado e nesta noite aconteceram muitas trocas de mensagens entre elas, eu participando como palpiteiro das mensagens do meu lado e torcendo pra coisa fluir. Infelizmente não deu certo, pouco por falta de tesão da minha esposa, pouco por falta de confiança ainda dela em mim. Após isto a coisa realmente deu uma esfriada e ficamos quase um ano sem falar direito no assunto, até que em uma viagem resolvi conversar sobre uma velha amiga de trabalho que reaparecera após anos sem notícias (sim, já havia ficado com ela quando solteiro). Porém apesar do tempo longe não perdemos a intimidade pois sempre falávamos de tudo e eram conversas ótimas sem realmente segundas intenções, apenas troca de experiências e feedbacks sobre o tema. Sugeri que ela poderia se enquadrar no perfil que inventamos (o principal medo era ter alguém grudado e apaixonado por um de nós) e pra minha surpresa, minha esposa gostou da ideia. Surgiu então um nome finalmente.

– Quem abordou a terceira pessoa – e como ela(e) reagiu?

ELA: A moça escolhida era casada mas tinha o relacionamento aberto. Isso me tranquilizava pois eliminava um dos medos (dificilmente será uma pessoa que nos trará problemas na área sentimental). Ela era bem resolvida, tarada, linda, gente boa e super delicada. O fato de ele já ter ficado com ela me tranquilizava também pois facilitaria na condução do sexo (ele já sabia do que ela gostava, do que eu gostava e o negócio poderia fluir melhor).

ELE: Eu abordei. Agendei um café despretensioso, a ideia era fazer as duas se conhecerem e saber se surgia afinidade. Tinha tempo que não encontrava essa amiga então foi a desculpa perfeita. No café, tudo perfeito, as duas conversavam e tentava me manter mais como mediador, puxando conversas que fossem em comum pra elas. Afinidade, check, empatia, check. Faltava então saber o que cada uma achava da outra. Perguntei pra minha esposa logo após o café e ela deu o melhor feedback possível. Perguntei se ela era elegível à função de completar nosso trio e depois de ficar vermelha de vergonha respondeu que sim. Depois disso achei que o melhor caminho era ser direto, então liguei e perguntei o que a amiga tinha achado da esposa e o feedback foi recíproco, bom, com a faca e o queijo na mão, fui direto e reto e propus o encontro com segundas, terceiras e todas as intenções possíveis. Após isso criamos um grupo no whatsup pra conversar e ganhar intimidade. A amiga reagiu otimamente, participando, provocando e demonstrando muito interesse.

– Esposa, o que passou na sua cabeça? Você teve receio, vergonha, ciúmes… fez exigências específicas (do tipo, você só pega nela quando eu deixar ou eu tenho que achá-la bonita ou não podem se encontrar sem mim por perto etc)?

ELA: No início tive receio de não sentir atração e não rolar química, mas conversamos por mensagem (eu, ele e ela) para que eu a conhecesse melhor… trocamos fotos e criamos uma intimidade saudável. Meu segundo maior receio era alguém ficar “de lado” e o sexo não ser bom para os três.
Quando o negócio começou a tomar forma e percebemos que realmente iria acontecer, falamos sobre os detalhes. Exigi apenas que ele não gozasse dentro dela (isso pra mim era simbólico e a ideia de ver ele gozando em outra pessoa me deixava angustiada #aloka).

– Marido: qual o tesão de transar com duas mulheres ao mesmo tempo? O que você considera especialmente excitante?

ELE: Olha, é um tesão diferente, talvez mais relacionado com a sensação de poder. Acho duas mulheres delicadas e femininas juntas muito sexy e adoro olhar. Na verdade gosto de orquestrar o movimento, com naturalidade pra extrair todo o prazer possível das duas. Acho que numa transa assim não tem eu, tem nós e é bem diferente do sexo a dois (que particularmente prefiro e não trocaria por ménage). O homem principalmente precisa trabalhar muito sua cabeça pra não se sentir sobrando, por isso o clima é compartilhar com o outro, se você for nesse clima, é certeza de sucesso. O que me dá mais tesão é a questão da interatividade dos três, penetrar uma enquanto a outra lambuza nosso sexo com a língua ou mesmo um oral duplo são coisas que me deixam completamente louco.

– Quantas vezes rolou o ménage e como foi? Todo mundo saiu satisfeito, teve climão ou alguém sobrou?

ELA: Rolou 1x só. Todos saímos satisfeitos e fluiu muito bem!

ELE: Rolou uma vez só mas ficou o gostinho de quero mais. Foi perfeito, simplesmente isso. Houve uma sincronia e uma doação de todas as partes, o resultado vem dos números. Eu gozei 2 vezes (demoro muito pra gozar e isso tomou aí quase 4 horas) e as meninas gozaram 3 vezes cada uma.

– O que vocês diriam para quem quer fazer um ménage, mas tem bloqueios? Existem dicas do tipo: jamais saia com uma amiga muito próxima ou algo assim?

ELA: Não façam apenas para agradar o outro, creio que é muito importante que as duas partes tenham o mínimo de vontade. Vejo que para chegar ao ponto de realizar essa fantasia, tem todo um processo de preparação de ambas as partes: diálogo, conversar sobre os receios, tratar o assunto com leveza e naturalidade, dar risada, falar sério sem imposições, não reprimir o que o outro deseja. Ir de coração aberto. Se sentir ciúme na fala do parceiro, segure a onda e entenda o porquê dessa insegurança antes de “brigar”ou demonstrar insatisfação. Se o seu parceiro(a) demonstrar resistência à ideia, comece introduzindo o assunto na intimidade, estimulando a fantasia, assistam vídeos eróticos para estimular a criatividade. Homens: cuidado ao sugerir pessoas, principalmente se forem amigas de suas parceiras, isso pode gerar desconfiança. Se possível conduzam o assunto com naturalidade mas deixe que a sua parceira dite as regras. Nós mulheres somos muito sensíveis e gostamos de ter um controle da situação. Isso não é regra, mas foi assim que aconteceu conosco. Meu marido me estimulou e respeitou o meu tempo.

ELE: Antes de tudo, conversa franca. O casal tem que ser cúmplice e fazer como equipe, por isso ciúme não entra, porque a sensação tem que ser essa, os dois são um só. Definida a pessoa, conversar sobre o que é e o que não é permitido é fundamental, se uma das partes está com vontade de fazer algo que você não se sente confortável, explique, converse. Abrir concessão para o outro faz bem, manifestar o que agrada e o que não também. Eu costumo brincar que estragar amizade com sexo é o mesmo que estragar sorvete com leite condensado por cima (risos). Minha dica é: independente se a pessoa tem muita intimidade ou não, tem que ser uma pessoa que tenha discrição, por isso as vezes se prefere encontrar desconhecidos (mas aí tem o problema de não saber o passado e por onde essa pessoa andou). Eu recomendo fazer com pessoas mais próximas, olhe ao seu redor, com o mundo do jeito que está, certeza que alguma amiga ou amigo tem vontade de pegar o casal, fique atento e de repente a solução para realizar esta fantasia está mais perto do que imagina.

*LEIA MAIS:

– Curiosidade Bissexual… significa?

– Catherine Hakim: “Ter um caso faz bem ao casamento”

– “Nossa estreia no swing”

 

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Comentários
  • Queria saber, se o desejo dela, fosse a 3ª pessoa um homem, ele(o marido) toparia…rss

    28 de maio de 2014
    • Com certeza não, hahaha

      10 de julho de 2015
    • Porque não?
      Tem muito marido que gosta ou gostaria de ver a esposa transando com outro, infelizmente tem muita esposa que recusa essa oferta do marido.
      No nosso caso já fizemos a 4 anos. Temos 38 eu e 35 anos ela. Começamos por curiosidade e gostamos.
      Temos algumas regras (e cada um tem as suas): 1. Ela não faz anal(porque não curte), 2. Não deixa gozar na boca, 3. Não sai sozinha. 4. Não saimos com solteiros. 5. Ela não aceita saírmos com mulher. 6. Posso sair sozinho com casal (onde pego a mulher dele na frente dele assim como os outros pegam a minha na minha frente).
      Agora ela está com um amante fixo. Faz mais de um ano e meio que come ela. Se tornou fixo por varios motivos, segurança, intimidade, casado e liberado pela esposa (ela sabe e libera o marido para sair com nós, só pediu fotos da minha esposa para ver como era e falou comigo no tel para rer certeza que sei que ele pea ela e que eu deixo…rrsrsrsrs), mora na nossa cidade, educado, carinhoso, respeitador, discreto, bonito….rola a maoir quimica entre eles na cama, tem disponibilidade de horarios e tem total controle sobre sua ejaculçao só goza quando quer o filho da puta.
      Encontramos através de anuncio num site especializado. Ficamos um bom tempo conversando e conferindo afinidades e informações, só depois que nos sentimos confiantes marcamos encontro. Onde pudemos comprovar tudo que ele tinha afirmado e informado. Nesse dia a minha esposa descobriu mais um detalhe que nem tinhamos pensado e perguntado, o dote dele é 04 cm mais comprido e 02 cm mais grosso que o meu, detalhe que causa muito “sofrimento” a ela….rsrsrsrs.
      Saímos ou ele nos visita (sim a seis meses ele frequenta nossa casa, quarto, banheiro e cama) uma vez por semana (no maximo) ou a cada 15 dias.
      Nesses encontros deixamos ela: “acabada”, “bamba”, “exausta”, “satisfeitissima”, “nas nuvens”, “melada”, “arrombadinha”, “ardidinha”, feliz, desejada, gostosa e realizada.
      Eu quando saio com outro casal tenho que contar como foi em cada detalha já que ela não participa.

      19 de agosto de 2016
  • OLÁ. ATE TENHO CURIOSIDADE, E É O MAIOR FETICHE DO MEU NAMORADO, MAIS NAO SEI SE TERIA CORAGEM, SOU MUITO CIUMENTA, TENHO CIUMES ATE DAS AMIZADES DELE, NAO SEI SE TERIA CORAGEM DE VER MEU NAOMORADO EM INTIMIDADE COM MAIS ALGUEM. MAIS CONFESSO QUE TAMBEM TENHO ESSE FETHICHE (RISOS). TALVEZ SE FOSSE ALGUEM POR QUEM EU NAO NUTRISSE SENTIMENTOS ACHO QUE FARIA NUMA BOA.

    27 de novembro de 2015
    • A tua pendência é também por questão religiosa, Sintia?
      Se for, quero conversar contigo a respeito disso!

      27 de novembro de 2015
  • Eu nunca tive essa experiência.gostaria de ter.mas tenho namorado ele poderia participa

    30 de abril de 2016
  • Fiz a proposta para minha esposa deixando para ela a escolha: se com mais uma mulher ou mais um homem, por enquanto não aceitou.
    Eu tive varias experiencias com casais antes de casar.

    19 de agosto de 2016
  • Tenho vontade, e já tocamos muito no assunto, mas encontrar a pessoa certa é difícil

    3 de outubro de 2016

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