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“Relacionamento aberto prega fidelidade”, diz autor

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“Relacionamento aberto prega fidelidade”, diz autor

(Foto:Pixabay @Tumisu)

João e Maria se amam. Portanto, nunca se sentiram – nem se sentirão – atraídos por outras pessoas? O designer Alexandre Venancio questionou a monogamia nas mesas de bar divididas com amigos e conhecidos. Não dá pra trair a realidade: poucos assuntos rendem tanta polêmica e audiência. O que seria de João Kleber sem o clássico Teste de Fidelidade? “Para, para, para!”. Alexandre quis continuar. Saiu pesquisando e escreveu o divertido e ilustrado livro “Poliamor & Relacionamento Aberto” (Panda Books, R$ 35,90). Nesta entrevista, ele afirma que respeitar e entender o desejo / a sexualidade de quem se ama são provas de uma relação honesta e cúmplice. Também explica alguns tipos de acordos entre casais ~moderninhos~, como “Siamês” e “Café da Manhã, não!”.

​- Você acha que o ser humano é naturalmente monogâmico? Ou podemos amar alguém de verdade e, ainda assim, sentirmos desejo por outras pessoas?

Alexandre – Óbvio que o ser humano não é único, certamente existem pessoas que se sentem confortáveis sendo monogâmicas e não vivem esse conflito.  Mas não acredito na monogamia de qualquer ser vivo – a maioria das espécies (incluindo a humana) comprovadamente não é. Mesmo que as pessoas escolham por um relacionamento fechado, elas não deixam de sentir desejo por outras pessoas. O flerte e a fantasia acontecem ainda que não leve à consequência real. Ou seja, esse modelo tradicional é uma condição imposta pela sociedade. Ele foi construído ao longo da História, seja pela igreja ou pelo Estado, porque era conveniente para definir questões como patrimônio e herança.

– No livro, você diz que “o relacionamento aberto prega a fidelidade”. Dá pra ser fiel ao parceiro / à parceira mesmo saindo com terceiros?

Alexandre – Traição é “pular a cerca” porque sair com outras pessoas não foi um acordo do casal. Podem acontecer situações em que o(a) parceiro(a) coloca o outro em risco, por exemplo, não se protegendo contra doenças sexualmente transmissíveis. E ele(a) não vai voltar pra casa e dizer “amor, agora vamos usar camisinha porque fiz uma besteira e estou preocupado”. No relacionamento aberto, você é fiel à medida que não faz nada escondido e tem liberdade para conversar com o outro sobre essas coisas.

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– Você usa termos específicos para explicar os tipos de relacionamentos abertos. Não é exatamente “todo mundo nu e ninguém é de ninguém”, né?

Alexandre – Os casais estipulam suas regras e limites – o que pode mudar com o tempo. Acabei dando “nomes” para alguns modelos de relacionamentos abertos. No “Don’t Ask, Don’t Tell” (“Não pergunte, Não Diga”), cada um faz o que quer longe do parceiro(a) e não conta nada. É uma alternativa para quem quer dar liberdade, mas não quer saber detalhes nem lidar com o ciúme. No “Siamês”, o casal topa incluir outra(s) pessoa(s) mas sempre juntos. Não vale encontrar ninguém sem a presença do(a) parceiro(a). No “Swing”, há troca de casais e cada um pode ir para um lado. No “Café da manhã, não!”, pode transar com quem quiser, contando ou não, mas sem se envolver emocionalmente. Algo como “Reserve o amor só pra mim”.

– Mas não é realista achar que se pode controlar os sentimentos do outro.

Alexandre – Sim, pessoas gostam de pessoas. É natural, pode acontecer. Um dia, depois do sexo, você fica conversando com a terceira pessoa. No outro assistem Netflix juntos [risos]. Por isso costuma ser a etapa antes do “Poliamor”, em que é permitido tanto o sexo quanto o envolvimento amoroso além do casal – ou seja, entre três ou mais pessoas.

– Tudo isso parece mais simples na teoria do que na prática. A pessoa pode achar que dá conta de abrir o relacionamento e na hora H perceber que não é bem assim…

Alexandre – Acho muito mais difícil você estar num relacionamento monogâmico e lidar com algumas fantasias. Por exemplo, a pessoa achar que tá recebendo mais atenção de um(a) colega de trabalho do que em casa, que tá apaixonada e afetar o casamento – mesmo reprimindo, mesmo sem viver esse desejo na prática. De repente a pessoa se separa ou trai e percebe que estava fantasiando uma coisa e não tem nada a ver.

– Há quem acredite que relacionamento aberto não passe de “promiscuidade”.

Alexandre – A ideia de promiscuidade é cultural, muda de acordo com a época e o lugar. Na Indonésia, por exemplo, uma mulher pode ser vista como promíscua se ela tiver muito interesse sexual pelo marido. A Organização Mundial da Saúde afirma que é ter mais de três parceiros sexuais por ano – e a maioria das pessoas atinge esse placar muito rápido… Acho que não há promiscuidade se você se preocupa com a sua saúde e a dos outros, sempre faz sexo consensual e apenas com quem tem idade pra isso. Agora acredito que ser promíscuo(a) é sair transando em roleta russa sem cuidar de nada.

– Quem trai sempre se sente culpado(a) e quem é traído(a) sempre fica arrasado(a)? Você acha que as pessoas podem lidar com a questão de outras formas?

Alexandre – Sim. É tudo uma questão do seu entendimento sobre a experiência que você ou a pessoa teve fora do relacionamento monogâmico: se foi relevante ou não, por que aconteceu, se foi só uma situação oportuna ou reflexo de uma crise do casal… O problema é que, em geral, nós nem queremos ouvir o que o outro tem a dizer. Atropelamos a lógica e reagimos apenas com os sentimentos. O povo latino é muito mais “dramático”, por exemplo, do que o europeu – eles tendem a conversar e compreender o(a) parceiro(a). Não costumam recorrer a estereótipos antiquados e machistas do “canalha” e da “trouxa” ou da “vagabunda” e do “corno”.

– Quem trai procura o que “não tem em casa”?  

Alexandre – As pessoas acham que o mundo gira em torno delas e, portanto, se perguntam “O que faltou? O que eu deixei de fazer para que ele(a) me traísse?”. Às vezes não tem nada a ver com isso, ele(a) não estava descontente com o amor ou o sexo, foi um tesão por outro e uma situação oportuna. Ou existe o que chamo de “libido sexual discordante”, quando um quer mais sexo que o(a) parceiro(a). Se uma parte do casal não tem vontade, a outra parte é obrigada a passar meses até que ele(a) queira sexo?

– Abrir a relação é uma forma de “salvá-la” do término?

Alexandre – Acho que seria a decisão derradeira e pode salvar se a questão sexual for o único problema. Mas existem muitas outras coisas que levam a um término e abrir a relação não fará diferença.

– Você dá várias dicas no livro, dentre as quais: como introduzir o assunto com o(a) parceiro(a), onde encontrar alguém disposto a brincar com o casal, como se comportar numa orgia, como se proteger contra doenças. Tudo com base em experiências pessoais?

Alexandre – Algumas sim, outras de amigos e conhecidos. Mas pesquisei muito na literatura – inclusive acadêmica – para entender o assunto e tratá-lo de um jeito leve e divertido.

– Você está ou já esteve em um relacionamento aberto? Dá pra voltar a ser monogâmico ou é um caminho sem volta?

Alexandre – Para os outros deve dar [risos]. Só digo que o relacionamento aberto é a minha filosofia de vida.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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Comentários
  • Casei novo, com uma mulher muito bonita. Muitos a paqueravam e se vendiam como melhor que eu. Ela foi acreditando e acabou ficando com um deles, mas paqueradores sempre querem novidades e a dispensou. Ela ficou com outros e eu também tive namoradas. Nesse tempo ficamos em um casamento aberto. Nenhum dos dois encontrou alguém com quem se desse melhor e voltamos a uma relação exclusiva. Acredito que esse tempo foi importante para solidificar nossa relação. Hoje temos 40 anos de casados e somos felizes.

    4 de junho de 2017

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