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Me chama de videogame e se joga em mim

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Me chama de videogame e se joga em mim

Na última vez em que joguei videogame, o protagonista era um ouriço (porco espinho?) azul e veloz chamado Sonic. É provável que, sob meu comando, ele jamais tenha passado da terceira fase. Isso aconteceu láááá nos anos 1990 e eu sequer possuía pelos pubianos. Os pelos cresceram, a coordenação motora continuou a mesma – nula. Hoje a relação com o moderno aparelho que habita a sala de casa, xodó do meu marido, é tão pacífica quanto uma partida de Counter-Strike (aquele do “tiro-porrada-e-bomba” entre terroristas e antiterroristas).

Tudo me leva a crer que o hipnólogo Fábio Puentes é o grande nome por trás de marcas como PlayStation. Só isso explica marmanjos completamente abestados por hoooooras diante da televisão, não? Tente estabelecer um diálogo e você se sentirá num debate com o ex-candidato à presidência Eduardo Jorge. “Amor, já trocaram o portão da garagem?”, procuro saber enquanto ele está no FIFA. “Quero”, ele responde. “Quer o quê?”, insisto. “Foi tudo bem no trabalho”, esclarece (?). Passe em frente à tela, metida numa camisolinha cheia de más intenções, e ele te expulsa por atrapalhar um gol. GAME OVER TESÃO.

Se o seu namorado/cônjuge curte jogar online, você compartilha do meu drama. NUNCA dá pra pausar a partida, sob pena de o adversário achá-lo um cagão (o que é, convenhamos, um ~incríííííível problema~). Outro dia, na tentativa de justificar o vício enquanto eu surtava, Felipe apelou para nossa condição financeira: “Linda, eu tô ganhando DINHEIRO vendendo jogadores virtuais. Recebi SEIS REAIS este mês”. Parabéns, lindo, agora já dá pra pedir 50 gramas a mais de queijo na padaria! Ou então a gente pode bancar a impressão de folhetos explicativos para a vizinhança – por conta dos xingamentos em alto e bom som contra os rivais, devem imaginar que sofro violência doméstica.

E o tanto que é brochante quando você flagra o cara tentando trapacear? Por exemplo: como nos vemos apenas à noite durante a semana, estabelecemos no máximo duas horas diárias de videogame (fui generosíssima, né?). Espio do corredor o tempo da partida, que vai até o número 90. Reparo que a contagem está nos 70. “Fê, tá acabando aí? Vamos ver um filme…”, lanço a linha. “Tá quase, amor. É a ÚLTIMA, JURO”, ele morde a isca. Pouco depois apareço na sala de surpresa perguntando se acabou. “Putz, ainda não, tá difícil essa!”, ele tem coragem de inventar, como se eu não tivesse percebido que já era UMA NOVA PARTIDA. “E esse reloginho marcando o número cinco aqui hein, hein, hein? Vai dizer que essa porra ficou regressiva?”.

Daí mais tarde eles querem brincar com o joystick que têm entre as pernas e ficam procurando nosso botão de liga-desliga. Viro para o lado e durmo como quem diz: “Esse sistema precisa obrigatoriamente ser reiniciado para atualização de dados. O processo pode levar dias. Desculpe o transtorno”.

*LEIA MAIS:

– Por que é tão difícil conciliar amor e desejo na mesma relação?

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– Masturbação feminina ainda é tabu? Ah, se toca!

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Comentários
  • Caso sério isso de vício em games.

    Conheço caso de casal jovem onde marido e mulher são viciados em games. Hoje separados, seguem seus vícios em habitações diferentes. É impressionante quando uma ou mesmo duas pessoas trocam o momento carinho, quem sabe até sexo, por teclas e telas que nunca levam a nada. Nem a desenvolvimento intelectual ou cultural.

    É como o caso da esposa que troca os raros momentos de tempo livre que tem, para jogar game em smartphone, quando deveria dispensar tempo e atenção pro esposo. Com certeza o game deve dar mais prazer, aos olhos dela que cheiro de homem, abraço apertado, carinho, etc.

    Vai saber, nunca se sabe.

    21 de julho de 2015
  • Hahahahaha, 2 members!!!
    E ai q o bophy esta passando o vicio pros nossos filhos?
    Valha-me Deus…

    22 de julho de 2015

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