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Afinal, corrimentos vaginais são normais?

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Afinal, corrimentos vaginais são normais?

Você olha para a mancha na calcinha, morre de vergonha e logo imagina que pode ter pego alguma doença sexualmente transmissível? Não é bem assim, não, miga. Mulheres liberam naturalmente uma secreção vaginal tanto para molhar a região e dificultar a entrada de bactérias no organismo quanto para que os espermatozoides alcancem o óvulo no período fértil.

Agora, quando esse corrimento ganha cheiro e coloração fortes, talvez seja indício de alguma infecção ou fungo. Nossas vaginas são locais úmidos e abafados por calcinhas e roupas justas boa parte do tempo. Mas como saber exatamente se é o caso de procurar um médico? Nesta entrevista, a ginecologista-obstetra-sexóloga-didática-querida Carolina Ambrogini explica direitinho.

– É normal ter secreção vaginal no dia a dia? Como você descreveria esse fluido (cor, cheiro, consistência)?

CAROLINA – Sim, é normal entre as mulheres e não deve ter cheiro forte. Ela varia conforme a época do ciclo menstrual porque sofre influências hormonais. No início do ciclo, é mais ralinha e em menor quantidade. Acontece que vemos esse fluido acumulado na calcinha, então não temos a impressão de que é transparente. No período de ovulação, ganha uma consistência de “clara de ovo”. Na menstruação, a secreção pode vir com uma cor mais amarronzada porque contém um resquício de sangue. Só crianças e velhinhas não têm secreção vaginal.

– Por que nosso corpo produz a secreção e de onde ela vem?

CAROLINA – Os hormônios é que fazem com que as células da vagina produzam esse muco, assim como temos saliva. Não é a mesma coisa que aquela lubrificação de quando as mulheres estão excitadas – essa secreção acontece no dia a dia mesmo. Ela funciona como uma defesa do organismo porque as bactérias precisam vencer essa barreira para chegar dentro do útero. E também são uma ferramenta do organismo com o objetivo reprodutivo – serve para que o espermatozoide, com sua cauda, consiga “nadar” nela até o óvulo

– Ele pode variar de acordo com o nosso ciclo menstrual, com a gravidez ou uso de anticoncepcional, por exemplo?

CAROLINA – Sim. Na segunda fase do ciclo menstrual, o hormônio predominante é a progesterona, que dá um aspecto mais denso e branco de “maisena” à secreção vaginal. Na gravidez, ela fica com esse aspecto e aumenta também. E todos os anticoncepcionais têm progesterona: a mulher que usa pílula não tem a variação de textura/cor do fluido porque não ovula, então fica o tempo todo com uma secreção mais grossa.

– É recomendável usar aqueles absorventes diários para se sentir mais confortável ou eles podem abafar e causar problemas?

CAROLINA – Muitos ginecologistas criticam o uso sob o argumento de que a vagina já é um lugar úmido e, ao abafar, você pode promover o crescimento de fungos. Eu acho que esses absorventes diários só são problema quando a mulher tem uma tendência à infecção ou candidíase de repetição. Não sou totalmente contra, algumas usam diariamente e se sentem mais confortáveis mesmo.

A ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini explica que a secreção vaginal pode ser alterada pelo ciclo menstrual, uso de antibióticos e anticoncepcionais (Divulgação / Arquivo pessoal)

– Como saber se o corrimento deixou de ser algo natural e virou indicativo de uma infecção ou doença? Sempre vem acompanhado de outros sintomas?

CAROLINA – O sinal de infecção é que a secreção às vezes fica muito abundante, vem acompanhada de coceiras vaginais e ardor, sai em pedaços como “nata de leite”, um cheiro forte de “peixe podre” e/ou ganha uma coloração diferente, como amarelo-esverdeada.

– E se ele vem acompanhado de dor na relação sexual?

CAROLINA – Febre, pus, dor no sexo e na região pélvica são alertas de que a infecção subiu para o útero e isso pode trazer um prejuízo grande para a saúde reprodutiva da mulher – como comprometimento das tubas uterinas. Precisa correr para o pronto socorro, não dá pra perder tempo, não.

– Um corrimento ruim pode ser provocado pelo que? As pessoas tendem a achar que sempre têm relação com sexo/DST, mas pode ter fundo emocional também, né?

CAROLINA – A grande maioria dos corrimentos tem relação com a flora vaginal, composta por lactobacilos saudáveis e normais. O que estimula a produção/crescimento deles é o PH ácido da região. Quando acontece um desequilíbrio da acidez vaginal, por exemplo com o uso de antibióticos ou baixa imunidade, os lactobacilos diminuem ou morrem. Isso propicia a proliferação de bactérias e parasitas no organismo. No geral, a causa dos corrimentos não são doenças sexualmente transmissíveis. Quando eles são, os principais diagnósticos podem ser gonorreia (secreção que parece com pus) e clamídia (com inflamação no colo do útero). O estado emocional da mulher também pode interferir na secreção vaginal. Uma pessoa estressada libera o hormônio cortisol, que é um potente imunossupressor, abalando nosso sistema de defesa – inclusive na vagina. Daí começa a dar aquelas candidíases que não melhoram, sabe?

– Existem alimentos ou comportamentos cotidianos para prevenir infecções e manter o PH vaginal ácido?

CAROLINA – Sim. É bom usar sabonetes comuns neutros e com PH balanceado para a vagina, caso desses sabonetes íntimos. Consumir iogurtes e alimentos com bio componentes pode ajudar a restabelecer a flora. Outra dica é dormir sem calcinha, usar peças íntimas de algodão e evitar roupas muito justas – vivemos num país tropical, naturalmente quente, que provoca suor na região e favorece o crescimento de fungos.

– É preciso recorrer a um ginecologista ou o próprio farmacêutico pode indicar o tratamento (pomada, remédio etc)?

CAROLINA – Precisa ir ao médico, até porque a maioria dos cremes vaginais indicados para esses casos necessitam de prescrição para a compra. Essas pomadas têm antibiótico, antifúngicos, corticoides etc. Em geral, o tratamento dura uma semana e pode incluir o uso de medicação via oral também.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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