HomeAmorRebatendo seis argumentos a favor da decisão “família é homem e mulher” – ou “nosso estado é laico, sabia?”

Rebatendo seis argumentos a favor da decisão “família é homem e mulher” – ou “nosso estado é laico, sabia?”

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Rebatendo seis argumentos a favor da decisão “família é homem e mulher” – ou “nosso estado é laico, sabia?”

Ontem uma comissão especial que discute o Estatuto da Família na Câmara dos Deputados aprovou o texto principal do projeto que define “família” como a união entre um homem e uma mulher. Nas redes sociais pipocaram comentários aplaudindo a decisão. Escolhi rebater apenas seis argumentos utilizados por essas pessoas.

1.       Está na Bíblia que casamento é homem e mulher!

Entendo que a Bíblia seja um livro sagrado pra você. Sem qualquer deboche. Acontece que, em primeiro lugar, a Bíblia tem várias interpretações. E, como todo texto, cada interpretação diz mais sobre quem interpreta do que sobre quem escreveu. Além disso, lamento dizer, a Bíblia não é um manual unânime sobre como viver no Planeta Terra. Existem vários: Torá, Alcorão, Evangelho Espírita etc. Alguns conduzem suas ações com base no “Minuto da Sabedoria” ou nas previsões astrológicas de Susan Miller. Para as pessoas que sequer acreditam num plano divino, o seu Deus não significa absolutamente nada – muito menos os mandamentos dele. E, inclusive com base no conceito de livre arbítrio, todas merecem respeito por suas escolhas. Fica tranquilo(a) que, se Deus existir mesmo, é tarefa dele julgar e punir como lhe parecer apropriado. Você não precisa se encarregar disso por aqui.

  • 2.       Se querem ficar no pecado, tudo bem. Mas chamar isso de “família”, jamais.

Então, de novo: é bastante presunçoso imaginar que todos os seres humanos devem ser regidos pela sua moral (ou pela suposta moral do seu Deus). Nosso país é regido pelo sistema da democracia, o que prevê diversidade de crenças e opiniões. Não estamos numa jesuscracia porque o Estado é laico, embora por vezes se esqueçam disso. Quando você coloca que “família” se constitui unicamente da união de um homem com uma mulher, e principalmente quando uma Comissão entende dessa forma, institucionalizamos a discriminação que mata milhares (senão milhões) no mundo inteiro. Não se trata apenas de preconceito, mas de crime. Fora que o fato de um Estado reconhecer ou não a realidade… não muda a realidade. Como disse minha amada irmã, “a definição de família se dá pelo que temos dentro do peito, não pelo que há entre nossas pernas”.

  • 3.       Eu tolero que gays existam, só que isso me incomoda!

Gays, lésbicas, bissexuais e trans não precisam ser tolerados nem aceitos – muito menos por você. Eles só precisam ser o que são. Quem “tolera” aquele que não é cisgênero e heterossexual se acha “normal” e, portanto, superior. Mais ainda, se acha generoso por PERMITIR a existência do outro, o “diferente”. Lembra como os negros foram tratados por séculos? “Esses pretos são inferiores, mas eu-branco sou tão legal que vou botá-los para trabalhar de graça pra mim”. Lembra como os homens ficaram incomodados com a entrada de mulheres no mercado de trabalho? “Elas deviam ficar cuidando do fogão e das crianças, mas eu-macho sou tão legal que vou empregá-las ganhando bem menos que os homens responsáveis pelas mesmas funções na empresa”. Ao longo da História, evoluímos como sociedade em muitos aspectos e muita gente incomodada teve de engolir os seus incômodos. So sorry.

4.       Homem com homem e mulher com mulher não reproduzem!

Um casal de homens ou um casal de mulheres, de fato, não consegue se reproduzir. Mas as pessoas não vivem com o objetivo de fazer filhos. Elas estudam, trabalham, ouvem música, assistem peças de teatro, discutem sobre política, trepam e… eventualmente, podem ter o desejo da maternidade/paternidade. Nesse caso, elas podem amar e criar uma criança – seja ela oriunda de uma fertilização, de uma barriga de aluguel, de uma adoção etc. Casais heterossexuais parem bebês aos montes para encher de porrada ou mesmo jogar numa caçamba de lixo.

5.       Estão querendo estabelecer uma ditadura gay!

Segundo o dicionário, ditadura significa “governo autoritário exercido por uma pessoa ou por um grupo de pessoas, (…) em que se suprimem ou restringem os direitos individuais”. Se uma ditadura gay estivesse sendo pleiteada, haveria um decreto mais ou menos assim: “todos os brasileiros e todas as brasileiras só podem se casar com pessoas do mesmo sexo; só podem registrar crianças se forem pais-pais ou mães-mães; cabe aos heterossexuais restringirem suas manifestações de afeto em locais não-públicos, sob o risco de serem alvo de violência gratuita; todo casal homem-mulher está violando as regras morais estabelecidas”. Sacou? Ninguém está pedindo isso. São pessoas, como você, que cumprem uma caralhada de deveres (como pagar altos impostos) e querem apenas os mesmos direitos

6.       Isso é uma aberração nojenta!

Perdoem, amigos, eles não sabem o que dizem! Lamento que você use a religião como pretexto para ofender os outros. O seu Deus não manda, antes de qualquer coisa, amar o próximo? A minha crença, aquela que procuro seguir religiosamente todos os dias, me diz para sempre vestir a pele do outro e sentir o que ele sente. E cuidado com o termo “aberração nojenta” – já pode dar cadeia. Graças a Deus.

***LEIA MAIS:

– Profissão: fiscal de cu alheio

– Email para meu futuro neto: “Na minha época, ser gay era foda”

– As cenas gays de Wagner Moura no cinema – e o Capitão Nascimento que há em nós

– O Orgulho Hétero deveria nos encher de vergonha

– Põe na Roda: bom-humor contra estereótipos

– Existe amor fora da caixa, sabia?

– Entrevista: “Pode me chamar de sapatão mesmo”

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Comentários
  • Tem esse vídeo https://youtu.be/Zp_1-OYWxpE bastante ingressante interessante sobre o conceito de família.

    25 de setembro de 2015
    • Que porcaria de texto é esse. … Cara eu gostava muito desse blogue ou site sei lá. .Agora nota zero para vc. ..

      26 de setembro de 2015
  • muito moralismo,nem toda casada precisa dar pra 50 caras pra ter uma evoluçao sexual,promoção a luxuria em nome do amor ao proximo.

    6 de dezembro de 2015

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