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Profissão: fiscal do cu alheio

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Profissão: fiscal do cu alheio

Eles se multiplicam na velocidade com que cagam regras por aí. São os fiscais do cu alheio. A profissão é antiga, mas anda em franca expansão com o acesso às redes sociais. E porque atuam no mercado informal, o Ministério do Trabalho ainda não dispõe de estatísticas. Sabe-se, no entanto, que não exigem remuneração. Metem o bedelho na vida dos semelhantes por vocação mesmo, a exemplo de expoentes desta carreira, nomes como Silas Malafaia e Jair Bolsonaro. Logo mais, numa televisão perto de você, serão pauta do Globo Repórter: “Como vivem? Do que se alimentam? Têm contas a pagar? ”.

silas malafaia

Silas Malafaia, o fiscal MOR (imagem: adoraria saber quem foi o gênio)

Esta semana os fiscais do cu alheio resolveram encurralar o Boticário por sua campanha publicitária sobre o Dia dos Namorados. A propaganda que ~escandalizou as famílias de bem~ mostra casais héteros e homossexuais SE ABRAÇANDO E TROCANDO PRESENTES. Diante da ~apelação insinuante~ em ~horário aberto~, os guardiões da moral e dos bons costumes convocaram geral para clicar na opção “não curti” do vídeo no Youtube. Mas eles foram além: protocolaram uma queixa no CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e promoveram um (RISOS) boicote à empresa.

Sim, minha gente. Do tipo: “não compro no Boticário mimimi agora só Jequiti”. Natura também não é possibilidade porque patrocina a novela Babilônia, em que as personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg formam um adorável casal. Ouviram meus bocejos? Daí um GÊNIO levantou a lista com 379 empresas para facilitar o trabalho dos fiscais do cu alheio. Todas elas assinaram um documento APOIANDO O CASAMENTO IGUALITÁRIO. Aproveita e boicota também: Google, Facebook, Whatsapp, Twitter, Coca-Cola, Disney, Visa, Nike, Colgate-Palmolive, Walmart (mais exemplos nesse tumblr maravilhoso)… E o Meio&Mensagem lembrou dessas propagandas aqui. A vida na Terra vai ficar tão difícil que prevejo os primeiros habitantes de Marte.

quadrinho

Consumismo? Pode. Objetificação da Mulher? Pode. Violência? Pode. Casal gay? Nãããããão.

A você que ficou entusiasmado com a nova carreira e quer checar se tem o perfil dos fiscais do cu alheio, basta ler algumas de suas manifestações no site Reclame Aqui. Uma fiscal, mãe de um garoto de dois anos, postou que se sentiu “totalmente agredida”. Afinal, “é preciso respeitar as crianças em formação”. E ensinar as crianças em formação a respeitar a diversidade? Fico me perguntando de que material é feita a bolha em que ela está criando esse filho. Porque, certamente, uma hora ele vai cruzar na rua com um casal gay de mãos dadas. Comercial nenhum criou o desejo entre pessoas do mesmo sexo – apenas reflete o que se vê por aí.

reclame aqui

Uma fiscal protocola sua indignação contra o Boticário no site Reclame Aqui.

E é claro que esses profissionais ~não são homofóbicos~, tá, gente? Veja o argumento desse outro, em defesa da própria causa: “Vivemos em uma sociedade com valores e estes devem ser seguidos (…) Como se sente uma família reunida na sala conversando e de repente veem uma bela propaganda de homossexuais trocando presentes como se fossem as pessoas mais normais do mundo? ”. Deixa ver se eu entendi. Anormal é amar e expressar esse amor seja lá por quem for. Normal é destilar ódio e pregar intolerância. Amigo, vai fiscalizar as contas da Petrobras que a sociedade ganha mais. VOU ALI COMPRAR UM BATOM VERMELHO DO BOTICÁRIO PRA PASSAR NO CU – ELE É MEU, LEMBRA?, E EU USO COMO QUISER.

Importância

Qué dizê: como se a gente não tivesse coisa MUITO MAIS IMPORTANTE pra se preocupar…

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Comentários
  • Oi Nath. Concordo com td q vc fala plenamente. Mas acredito q isso ja está mudando. Tenho 22 anos estudo engenharia de computação numa universidade mente aberta. Nenhum amigo meu, nenhum tem pensamento homofóbico. Pelo contrário, os meus amigos heteros costumam sair com meus amigos gays e ainda tiram sarro um do outro do tipo “Cara, esse aí q vc ta saindo não vale a pena”. Um dos melhores amigos do meu namorado inclusive é gay, e o comentário q meu namorado faz é q “gostar de homem não te faz viado”. Além disso estou fazendo intercâmbio na Califórnia e por aqui os pensamentos são os mesmos dos meus amigos do Brasil. Eu vejo gente homossexual andando e se divertindo com heteros sem discriminação, sem malícia. Aquela carta q vc escreveu pro seu neto tenho certeza q vai mudar. Em compensação minha vó q tem 70 anos não aceita esse tipo de comportamento, mas eu vejo q a sociedade está mudando e acredito num mundo sem discriminação.

    4 de junho de 2015
  • Adorei o texto parabéns,sambou na cara dos preconceituosos de plantão kkkkk

    4 de junho de 2015
  • Interessante citar o Bolsonaro, quando, por tudo que vi dele, é justamente o contrário. Muitas vezes ele disse que cada um faz do seu cu o que quer. A luta dele é justamente acordando com este texto. Afinal, gaysistas é também um fiscal do cu alheio. Os caras não somente querem dar o cu, quanto querem que os demais deem. Foro íntimo deveria ser tratado como foro íntimo… Se é que me entendes.

    17 de junho de 2015
  • Uma fiscal, mãe de um garoto de dois anos, postou que se sentiu “totalmente agredida”. Afinal, “é preciso respeitar as crianças em formação”. E ensinar as crianças em formação a respeitar a diversidade? Fico me perguntando de que material é feita a bolha em que ela está criando esse filho. Porque, certamente, uma hora ele vai cruzar na rua com um casal gay de mãos dadas. Comercial nenhum criou o desejo entre pessoas do mesmo sexo – apenas reflete o que se vê por aí. TENS TODA RAZÃO, ADOREI O TEXTO!

    24 de junho de 2015

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