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Dia dos Namorados: por que eu não preciso de flores

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Dia dos Namorados: por que eu não preciso de flores

*Foto de Daniela Toviansky (2012)

Ontem eu não ganhei um buquê de flores. Ele bateu a porta de casa para trabalhar e esqueceu que era Dia dos Namorados. Ainda misturada aos lençóis, acompanhei do celular as declarações que congestionaram as redes sociais. Fotos de cestas de café da manhã, cartões com palavras bonitas, taças de vinho à luz de velas. “Marido insensível”, ri comigo, sem qualquer inveja das vidas alheias. Porque me sinto florida por dentro – graças ao que ele semeia em mim diariamente. Ao nosso amor não-datado, a uma relação que não se pauta pelo calendário. Esse é o maior presente que Felipe poderia me dar.

Não condeno nem ridicularizo essas manifestações num dia inventado pelo comércio. Pelo contrário, eu adoro. Acho bonitinho mesmo! Só não entendo quem trata como essencial algo que deveria ser acessório. Se você precisa esperar o ano inteiro para receber esse carinho, talvez seja o caso de repensar esse relacionamento. Se você brigou com o outro porque ele esqueceu ou não preparou nada especial, vale a pena refletir sobre as suas inseguranças –acredita realmente ser menos desejada por isso? E como ele te trata todos os outros dias, não conta? Será que você enxerga o amor no cotidiano, aquele que se esconde nos detalhes e nas pequenezas?

O homem com quem escolhi compartilhar a vida esqueceu o Dia dos Namorados – assim como esquece, por exemplo, nossos aniversários de namoro e casamento. E, há nove anos, ele consegue ser o cara mais romântico que já conheci. Não desse romantismo clichê dos filmes, nem daquele que depende do cartão de crédito. Esses são fáceis e óbvios. Felipe me vê com os cabelos presos num coque e beija minha nuca porque gosta “dos fiozinhos que caem por ali”. Cantarola o pagode mais brega do mundo apenas para me distrair de alguma ansiedade. Diz que vai pegar um negócio no carro, de madrugada, e volta com o doce pelo qual eu estava salivando.

Eu sei que ele me ama quando manda uma mensagem perguntando se dormi bem, quando assiste ao programa de moda só pra fazer comentários engraçados e levantar o meu astral, quando prepara o jantar (sempre macarrão ou estrogonofe, já que o repertório é limitado) para eu poder ler sossegada mais algumas páginas de um livro, quando ignora as minhas grosserias para não entrar numa briga imbecil. Sei que ele me ama até por superar a própria timidez ao ver a nossa intimidade exposta no blog de sua mulher faladeira.

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Nós, unidos da Yaki&Soba ;)

Enquanto torcíamos pelo Brasil na Copa do nosso sofá, tive certeza de que não precisávamos do Dia dos Namorados. Que comemoramos o nosso encontro na segunda-feira passada, comendo tacos com guacamole num lugarzinho charmoso. Ou no abraço apertado dentro do elevador. No passeio pela pracinha, manhãs atrás, brincando com Yaki&Soba. Estamos muito longe da perfeição, do casal-margarina, da felicidade inabalável. Mas como é bom valorizar TODOS os dias em que temos o privilégio de estar lado a lado. Ontem ficou TUDO BEM sem restaurante, motel, surpresa ou presente. Porque, sorte a nossa, foi “só mais um dia”.

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Comentários
  • Ah eu simplesmente amei o seu texto, Me fez até me sentir mais humana. As vezes nos esquecemos do mais importante, que é estamos juntos, e nos prendemos a coisas fúteis como ganha um presente em uma data inventada pelo comercio.

    13 de junho de 2014
  • Adorei. É isso mesmo.

    13 de junho de 2014
  • Lindo, Nath! Penso igual a você, o que vale é o carinho da convivência diária. Já tive alguns relacionamentos e só comemorei quando o namorado fazia muita questão. Nunca tive muita paciência pra restaurantes cheios e longas filas em motéis. Aliás, eu e meu marido também esquecemos da data este ano :p

    14 de junho de 2014
  • Parabéns pra vocês!

    14 de junho de 2014
  • Feliz demais por enxergar a mim e meu bem nesse seu texto! Adoramos datas, adoro os mimos e presentes que ele me dá bestas datas… Mas valorizo muito mais essas pequenezas, esses detalhes que ele enxerga em mim, os carinhos diários traduzidos na paciência com minha tpm infernal, nas broncas pq esqueço de beber água ou passar cacau nos lábios ressecados pelo tempo seco.. Nada melhor do que esse romantismo diário, que é o romantismo real, esse bem querer!
    Texto perfeito, como sempre. Vcs são uma inspiração!! ❤

    14 de junho de 2014

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