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“Vou te apresentar um amigo”

*Texto: Denise Molinaro

Uma amiga minha, separada há dois anos, estava em pleno almoço de negócios quando alguém – em crise com o bom senso – disse: “Você está sem namorado há muito tempo, vou te apresentar um amigo, quero te ajudar”. Ela replicou: “Se você quer mesmo me ajudar paga meu condomínio”. Achei fantástico, mas eu diria “Amigo seu? Não, obrigada”. Porque, né, imagina os amigos dessa pessoa maravilhosa.

Ah o ser humano… Dá uma preguiça, gente. Uma pena eu não ter nascido golfinho. Vejo tantos aqui nas praias da Califórnia. Eles são lindos, felizes, frequentam os melhores lugares do planeta e não pagam aluguel. Que benção! Mas vamos falar daquelas pessoas que congelaram a evolução pessoal na Era Mezosoica e acreditam que a mulher solteira é uma coitada social.

Deixa eu começar fazendo uma pergunta: o que muda na sua vida se sua vizinha está separada do marido? Ou se sua colega não tem namorado há alguns anos? Gostaria de contar uma coisa que já deveria ser do seu conhecimento – mas enfim… Não é em todo Starbucks que se tem um encontro de alma gêmea e por isso muitas pessoas preferem estar só.

Muito provavelmente aquela-pessoa-que-quer-apresentar-um-amigo pra minha amiga não sabe, mas as solteiras têm se divertido bastante. O mundo mudou e elas conseguiram se libertar de vários estereótipos. E mais um ponto importante: existem muitos casados com a vida toda cagada.

É impressionante como tem uma galera que não fica constrangida em constranger os outros. Como chama isso? Carência de noção. Já conheci vários amigos de amigos e tive fortuitas experiências. Então não é uma questão de ser antissocial. Estou falando daquelas pessoas que ficam “making arrangements” para te juntar com alguém e você não pode de jeito nenhum dispensar quem não tem muito a ver com você. “Tem que tentar”.

Elas não param de insistir pra você sair porque acham que “seu marido” está num nightclub em Pinheiros. Gente, vai se tratar! Esquecem que coisas como a NOSSA VIDA são inegociáveis. Eu já ouvi: “Pelo menos eu namoro”, “Tem que casar pra ter essa experiência e fazer o check nessa parte da vida”, “Não adianta separar porque é tudo igual!”, “A gente aprende a gostar”.

Tem muita mulher que engrossa esse coro. No geral são aquelas que se oferecem como bom partido pelas redes sociais e escrevem legenda do tipo “notas sobre elas”. Vocês querem me matar de vergonha? E o pior é que acontece dia sim e outro, também. Olha, eu realmente sinto muito.

denise

*A AUTORA:

Denise Molinaro é jornalista, brasileira e mora em Los Angeles.

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