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Ele só pensa em… dormir – e agora?

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Ele só pensa em… dormir – e agora?

Reportagem que produzi para a Revista Claudia em maio/2013.

Uma tentativa de seduzir, duas, três… Dias depois, uma nova abordagem, mais ousada, superexplícita e… nada acontece. O parceiro se vira na cama e fecha os olhos. A essa altura, a mulher já compôs várias teses para explicar o desinteresse: “Estou menos atraente”; “Devo andar meio chata”; “Ele tem outra”. Quase nunca lhe ocorre o óbvio: nem sempre o homem deseja transar. “Eles estão começando a entender que têm o direito de não querer sexo sem que isso ponha em dúvida a virilidade”, afirma a psicóloga Sheila Reis, da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (Sbrash). Mesmo sabendo que é lícito dizer “não”, eles ainda estranham o novo terreno. E sofrem. O psicólogo Paulo Tessarioli, membro da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, lembra que, desde cedo, o menino incorpora a ideia de que deve ser forte e dominador — e a iniciativa das relações é, inapelavelmente, dele.

Se a mulher vive uma situação assim, precisa avaliar com calma. O par tem acumulado mais tarefas do que o habitual no escritório? Assumiu um novo cargo ou outras responsabilidades? Anda desmotivado com a falta de dinheiro ou irritado com as dificuldades cotidianas, que só crescem? Está preocupado com a educação dos filhos? Ou com o fato de estar envelhecendo? Talvez até incomodado porque a parceira ganha mais ou tem maior desenvoltura no trabalho, na casa, em tudo? A ansiedade e o stress, comuns na vida contemporânea, levam à estafa física e psicológica. “Nosso corpo não é de aço e tem limites para o sexo”, advoga Celso Marzano, urologista e terapeuta sexual do Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade (Cedes), em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Pensar em transar ou reagir de algum modo aos estímulos de uma parceira excitada requer energia. A mente precisa fantasiar, mandar mensagens para que alguns músculos relaxem e ordenar o envio de sangue a regiões fundamentais naquela hora, como o pênis.

Cansaço gera enorme apatia e não desperta tesão. Outra consideração: o homem se importa muito com o reconhecimento da parceira. Tem necessidade de se sentir superimportante na família, o provedor de sempre e, principalmente, o amparo dela. Se a mulher não acolhe isso, é possível que se instale nele a sensação de enfraquecimento. E, diante desse quadro, não será uma lingerie provocante que dará jeito. O roteiro masculino do desinteresse pode conter, ainda, preguiça, acomodação e um estado de espírito propenso a qualquer outra coisa menos sexo. Ou, simplesmente, é a crueza da rotina que está esfriando o homem. De fato, isso pegou em cheio um dos nossos entrevistados, um artista plástico de 26 anos, casado há três, que prefere não divulgar seu nome para evitar constrangimentos. “Nem sempre lavar louça é aquela brincadeira romântica dos filmes”, diz. “Eu e minha mulher chegamos do trabalho tarde, acordamos cedo e o sono nos vence.” Segundo ele, até os 18 anos é normal estar sempre disposto. Depois, não é mais assim. “Entre os homens, há mais discurso que ação”, ele observa. O artista plástico enfatiza que tem “uma sintonia sexual ótima” com sua mulher, mas é fato que os dois eram mais ativos no namoro. “Não morávamos juntos como agora. Sei que, se não transar hoje, vai acontecer no dia seguinte. O problema é que o amanhã vira depois de amanhã e, se não quero sexo, ela se sente pior do que eu quando recebo uma negativa. Pergunta se está gorda, se há algo estranho… Como é 16 anos mais velha, fica ainda mais cismada. Então, explico a razão da falta de vontade. Mas acabo fazendo amor sem desejo para não decepcioná-la. Ou porque soa em mim uma cobrança, uma sensação de não ser homem, uma frustração gigante.”

Um designer de 57 anos, casado há 34, que também não quer ser identificado, enumera as coisas que minam o próprio apetite: a casa cheia, os filhos sempre por perto, atritos e picuinhas com a mulher, que ele ama, brigas eventuais, ciúme. Incomoda um pouquinho também o pedido para caprichar mais nas preliminares. “Ela quer que eu conduza o clima mais devagar e de forma mais carinhosa”, conta. Dizem os especialistas que, em casos como esses, bastam alguns ajustes finos no cotidiano e tudo pode voltar ao normal.

Já uma dor na alma requer um pouco mais de atenção. Não parece, mas os homens sentem profundamente qualquer perda, até mesmo a derrota do seu time em um campeonato. Como choram pouco e guardam para si as mágoas, acabam se encolhendo na cama. O desemprego ou o luto por um amigo morto podem se prolongar e culminar em depressão, leve ou moderada. Com a mulher ocorre o mesmo, só que ela administra seus pesares e consegue superar uma experiência triste mais rapidamente ao se abrir com outras pessoas. O abalo no homem acaba indo além das fronteiras do quarto e, por isso, não é difícil detectá-lo: ele perde o interesse não apenas pelo sexo mas também por mais coisas que antes davam prazer, como viajar com os filhos ou jogar futebol. Ao se adaptar ao novo contexto e vencer o desconforto, o desejo reaparece. Quando o marasmo persiste, porém, a recomendação é procurar o médico.

A baixa libido pode estar ligada a doenças, diagnosticadas em exames de laboratório. “Por isso, o primeiro passo é afastar as hipóteses orgânicas, como diabetes descompensada ou insuficiência renal”, diz o urologista Oswaldo Berg, autor do livro Saúde Sexual Masculina e responsável pela Clínica de Medicina Sexual do Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro. Ele também explica que, com a idade, diminui a produção da testosterona, o hormônio masculino. E, quando ela cai bruscamente, surgem fadiga, sensação de calor, suores, perturbações no sono, ansiedade, falta de concentração e dor de cabeça, por exemplo. É a chamada andropausa, que atinge 25% dos homens a partir dos 50 anos. Já nos jovens, as alterações hormonais ocorrem por traumatismo ou atrofia dos testículos.

O desempenho sexual encolhe, ainda, com o uso de calmantes, antidepressivos e anti-hipertensivos, que modificam as respostas nervosas e vasculares, ou de álcool e drogas. “Beber em excesso, fumar maconha e ingerir anfetaminas compromete a libido”, avisa José Cury, chefe do departamento de urologia e medicina sexual do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). O desejo até pode permanecer intacto; o pênis, não. Disfunções eréteis e dificuldade com a ejaculação estão entre as consequências mais comuns.

Alguns homens precisam ir mais fundo na investigação para entender a ausência de desejo. Um gerente de qualidade, carioca de 49 anos, só descobriu o problema depois de um casamento desfeito e de ver sua nova paixão ameaçada. “Diferentemente da maioria dos homens, nunca tive um impulso incontrolável, um tesão irrefreável. Só mantinha relações com envolvimento afetivo”, conta. A falta de interesse pela mulher aumentou com a chegada do filho. “Viramos só pai e mãe”, recorda-se. “Ela parecia não se importar com isso e, para mim, era confortável. Eu me masturbava e bastava.” O casal ficou seis anos sem sexo. “Até que ela se mostrou infeliz e nos separamos”, diz. Logo, ele começou a namorar e, apesar da química, viu a situação se repetir. “Se rolasse sexo, ótimo. Se não tivesse, tudo bem pra mim. Minha namorada percebeu a dinâmica e, com jeito, puxou a conversa. Por medo de perdê-la, criei coragem de ir ao médico.” Não havia problema físico, e ele fez psicoterapia. Aí reviu um episódio perdido no seu inconsciente.”Aos 8 anos, fui abusado por um vizinho. Não havia visto aquilo como algo feio, parecia uma brincadeira. Hoje analiso melhor e entendo que o episódio se converteu em desinteresse. Agora, consigo falar de sexo, e o desejo pela namorada está em alta. Transamos sempre que nos vemos”, afirma. Ótimo, porque, se o homem falha várias vezes, a tendência é que ele se recolha com medo de fracassar de novo. E sexo, como toda atividade física, requer prática para enriquecer a performance.

Os especialistas apontam seis frentes para entender o parceiro e ajudá-lo sem perder de vista o próprio prazer. Algumas das alternativas a seguir podem se encaixar nas suas necessidades:

1. Observe o tempo
O termômetro, lembra o médico Celso Marzano, é a satisfação de ambos, e não o número de relações. Mas a raridade preocupa. “Se o sexo ocorria uma vez por semana e agora se dá a cada 15 dias, tudo bem”, diz a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, da USP. “Mas é alerta vermelho se caiu para uma por mês ou demora mais tempo.” Já ficar três meses sem sexo configura crise e requer intervenção.

2. Não faça julgamento
“Acusar ou colocar contra a parede não ajuda”, diz a psicóloga Sheila Reis. Homens têm vergonha de falar das próprias dificuldades. Mostre de forma serena que você está infeliz. Um casal emocionalmente maduro se esforça para abrir o diálogo, ainda que precise de terapia – segundo o médico Oswaldo Berg, na maioria dos casos, o problema está ligado a questões emocionais.

3. Sacuda a rotina
Fale de sexo quando ele menos espera. Ligue no meio do dia e revele o que pretende fazer com ele à noite. Isso desburocratiza, leva o sexo para o campo da fantasia. Para o psicólogo Paulo Tessarioli, a inércia também se dá na falta do fator-surpresa. “Aí fica impossível resgatar a espontaneidade do início.” Crie oportunidades de encontro e, quando quiser prazer, não leve os problemas para a cama.

4. Tente outras modalidades
O pânico masculino é não ter ereção ou não conseguir sustentá-la. Se seu parceiro está cansado e você disposta ao sexo, demonstre que um beijo íntimo ou os dedos dele no clitóris geram ótimos orgasmos – e nem é preciso grandes esforços. Há outros pontos eróticos que o homem desconhece e não explora. Bônus: com esse tipo de envolvimento, ele pode descontrair e se excitar também.

5. Incentive-o a apurar
Ajude-o a aceitar o urologista, que irá investigar doenças. Os remédios para disfunção erétil são seguros e podem até potencializar a performance de quem não tem o problema, mas vive uma fase crítica. Nesse caso, os médicos advertem que a droga não deve ser usada com frequência, pois costuma levar a uma dependência psicológica – e o homem não vai mais para a cama sem ela.

6. Faça você mesma
Seja stress ou doença, enquanto ele não descobre o motivo da inapetência, explore seu corpo com brinquedos eróticos. Se as tentativas de solucionar o problema não tiverem sucesso, Carmita sugere refletir: “De fato, a atração pode ter acabado. Ou, então, ele se ligou a outras parceiras. Ou vive um conflito com a própria orientação sexual”. O melhor é cuidar de si e abrir espaço para um novo par.

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Comentários
  • Naty, esse post é completo!

    sou sua fã e de Vanessa de oliveira!
    comecei a te seguir depois que ela citou a pimentaria em um vídeo se não me engano, e vcs não sabem como mudaram minha auto estima!
    vcs não ensinam só como melhorar no sexo, mas também a melhorar nos relacionamentos com todos a nossa volta e com nosso espelho.
    sou casada a 7 anos e meu esposo trabalha muito, vive cansado.
    depois de ler esses textos, entendi um pouco mais sobre o mundo real masculino e com isso, comecei tirando umas coisas da cabeça q a gente aprende qdo criança e comecei a tomar algumas iniciativas, o que melhorou significativamente, pois, aprendi q eles esperam que suas esposas demonstrem desejo e tomem a iniciativa!

    23 de março de 2016

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