“Ai” de dor, não de prazer

“Ai” de dor, não de prazer

No sexo, há quem diga que um tapinha não dói, mas outras coisas podem machucar e causar muito incômodo. Durante o bem-bom, quando você troca o promissor “Não para” pelo desesperador “Nããão, pára”? No ano passado, enquanto comandava um blog de sexo na revista ÉPOCA, reuni algumas dúvidas de leitoras e pedi socorro à Rosa Maria Neme, doutora em ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP e diretora-proprietária do Centro de Endometriose de São Paulo. Reproduzo aqui porque continuo recebendo questões bem parecidas 😉

-“Meu marido gosta de me dar prazer várias vezes na mesma noite. O problema é que, depois de gozar, sinto uma aflição no clitóris que chega a doer se ele insiste por ali. O que faço?”
Ajoelha e reza, querida. Pode agradecer Deus, Alá, Buda ou qualquer outra autoridade espiritual pela sorte terrena que lhe foi concedida. Homem preocupado com gozo alheio é uma benção! “A pele do clitóris é muito fininha. Com a fricção durante o sexo, ela assa e fica sensível mesmo. O truque é fazer com que a região escorregue mais fácil”, diz a ginecologista. Resumindo: investe no maridão – e no lubrificante.

– “Ele sempre vai direto para a penetração porque não tem paciência para preliminares, sexo oral… Além de lubrificante, tem alguma coisa para evitar que machuque?”
Tem sim. E desta vez, eu respondo no lugar da doutora. A opção é perguntar ao parceiro: “Algum gato comeu a sua língua?” ou “Gato, você comeu a própria língua?” ou ainda “Gato, sem língua você não me come mais”.

– “Por que, quando transo com a bexiga cheia, a penetração incomoda e depois sofro para fazer xixi?”
Imagine a sua bexiga como uma vizinha do seu canal vaginal. Assim, vizinha de casa geminada, sabe? Dentro de você, é como se as duas se dividissem por uma fina parede. Agora imagine que essa bexiga está lá, lotada de xixi até as tampas, quando um intruso fica batendo à porta. Puta sujeito mal educado, que bate váááárias vezes seguidas. Quem não ficaria irritada? “Quando a bexiga está cheia e pesada, ela pressiona o canal vaginal e o deixa mais estreito. O pênis fica atritando essa parede e isso pode gerar uma inflamação”, afirma Rosa. O ideal é sempre ir ao banheiro antes do sexo: urina e pênis não combinam no mesmo espaço. Mande a primeira embora – só depois convide o segundo.

– “Sinto cólicas algumas vezes depois de transar. É normal?”
Ô, amiga, pior que é. Segundo a médica, o sêmen tem uma substância que faz com que o útero tenha pequenas contrações. Sem mais nem menos, só de navegar e entrar em contato com o canal vaginal. Coisa que ele não conseguiria se estivesse dentro de uma camisinha, né?

– “Às vezes, mesmo sem estar menstruada, sangro durante e depois do sexo. Isso é sinal de alguma coisa séria?”
Se você toma anticoncepcional de forma contínua (cartela atrás de cartela, sem pausa para menstruar), é comum que isso aconteça. Caso contrário, é preciso investigar. “Pode ser uma ferida no colo do útero gerada por HPV, por inflamação de corrimento não tratado etc”, diz Rosa. Ela acrescenta que mulheres com a entrada da vagina muito estreita podem sofrer pequenas fissuras na penetração – desses cortezinhos saem o sangue. E vale checar se os resquícios vermelhos não vieram de gel/creme/lubrificante sabor morango/cereja/frutas vermelhas…

– “Perder a virgindade sempe dói?”
Que fofa, temos uma leitora virgem! Depende. Ao contrário do que as pessoas imaginam, a dor não vem do rompimento do hímen. Dra Rosa explica que ele não tem muitos nervos – até por isso, nem sempre sangra quando a membrana é rasgada. O problema é a tensão do sexo inaugural. A moça trava literalmente na estreia: contrai a musculatura do períneo, o que faz com que sinta mais ainda a penetração. Beije e brinque muito até se sentir suficientemente relaxada para mandar brasa.

– “Sinto uma dor no fundo da vagina quando meu namorado me penetra por trás. Pode ter a ver com o tamanho do pênis dele ou da profundidade da minha vagina?”
Pode. E com outras coisas. Em geral, o canal vaginal tem entre 10 e 12 cm. Se o dote do rapaz for muuuuuito maior do que a sua “elasticidade” interior, ele pode bater no colo do útero. A dor também pode ser culpa do formato do seu útero: em 5% das mulheres, ele é invertido. Isso faz com que, em algumas posições sexuais (como a penetração por trás), o pênis alcance a parede do órgão. Nos dois casos, nada grave. Mas essa dor no fundo da vagina pode ser um sintoma de endometriose, uma doença misteriosa que atinge 15% das mulheres que menstruam. Ninguém sabe o que causa esse problema no tecido do útero, mas desconfiam de genética e deficiências de imunidade. Não tem cura, mas tem tratamento (cirurgia e remédios). A dra Rosa, especialista no assunto, conta que a maioria das pacientes descobre quando chega ao consultório reclamando de cólicas mentruais, dor na relação sexual ou dificuldade para engravidar. O diagnóstico depende de exames (clínico e de imagens) especializados. Como saber se é apenas uma dor comum ou algo mais complicado? “Quem tem endometriose sente dor no fundo da vagina em qualquer posição: de lado, papai-mamãe, por trás…”, diz a ginecologista. Preste atenção aos sinais do seu corpo, querida. Cuide-se para que o “ai” seja sempre de prazer, nunca de dor.

– Dá pra fazer sexo anal sem dor?

SIM! Leia mais sobre a lição das tartarugas para essa prática.

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8 comentários

  1. Pingback: “Ai” de dor, não de prazer | 50 Tons de Dicas

  2. Mônica

    Vocês não têm apenas uma leitora virgem!! Estoy aqui na busca por dicas sobre o assunto e adoreii a resposta sobre a primeira vez!! Detalhe: tenho 23 anos!! kkkkkkkk…… Mas não me preocupo tanto com isso, acho que quando for pra ser, será!! 😉 E morri de rir do gato comeu a língua!! hahaha… ^^

  3. Dee

    Por gentileza, você poderia fazer um artigo falando sobre mulheres, que mesmo com o cara investindo no sexo, deixam a desejar na cama? Por ex: sexo anal, sexo oral ‘mais safado e direto-ao-ponto’, coisas mais ‘safadas’, pqp, eu tive isso em todos meus relacionamentos e agora que me casei não tenho, que patético isso, e eu invisto muito no prazer dela, será que ela não pode sucumbir? Faz favor né.

  4. PAULO

    Ola DEE, tive um casamento assim tb, e depois de muita conversa e dialogos, juntando com outros assuntos me separei, hoje estou casado novamente,só me casei pq durante o periodo de namoro as conversas foram todas postas a mesa e nós dois tinhamos o mesmo apetite sexual e sempre ate hoje conversamos para melhorar o nosso desejo um pelo outro,, meu conselho p ti é dialogar e expor tudo que vc tem vontade de fazer e ouça o pq ela não quer, o que a faz rejeitar sexo oral, anal, e outros tipos de preliminares, só o dialogo ira poder te ajudar a ter novamente uma vida sexual feliz, com ela ou longe dela.

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