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“Ela perdeu a virgindade e continua doendo. Por que?”

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“Ela perdeu a virgindade e continua doendo. Por que?”

“Minha amiga, 24 anos, era “virgem” até mês passado. Coloco entre aspas porque um treco (hímen) que se rompe até com um dedo não pode classificar quem é virgem e quem não é. Ela já fazia um monte de brincadeirinhas com o namorado e, quando resolveu liberar a penetração, imaginou que não seria algo horrível. Segundo ela, ‘parecia um cano incrustado de pregos entrando’, mesmo garantindo que estava ‘relaxadíssima’ depois de muito tempo de preliminares. Essa dor mortal continuou nas próximas transas. É normal? Outro ponto é que, mesmo sendo enfermeira formada, ela não quer procurar um ginecologista”.

Também não me conformo que um minúsculo “pedaço de pele” na entrada do canal vagina determine se uma mulher é ou não virgem. Existem cinco tipos de hímen e, dependendo de quão aberto/flexível ele é, pode ser rompido em situações banais como andar a cavalo ou usar absorvente interno. Se rola apenas penetração anal, a menina/mulher é virgem? Se ambos se masturbam e trocam sexo oral… também?

Não, não é normal sentir essa “dor mortal” na primeira vez. Especialmente se ela estava realmente relaxada, com alguém confiável, depois de longas preliminares. Uma coisa é sentir desconforto, a pressão incômoda de um pênis tentando abrir caminho dentro de você. Sua amiga naturaliza a questão porque somos criadas ouvindo que será uma tortura insuportável, então ela acredita que seja assim com todo mundo.

E porque nos botam medo, ignorando que sexo também é sinônimo de prazer, meninas/mulheres vão ansiosas e esperando o pior. Às vezes, mesmo sem perceber, estão tensas emocional e fisicamente – “sangue!”, “gravidez!”, “DST!”. Os músculos vaginais se retraem, a lubrificação não acontece (ou não em quantidade suficiente), tudo dificulta a penetração e aumenta o atrito. Se o cara está com pressa, desrespeita a vontade e o tempo dela, dor na certa.

Adolescentes vivem mais isso, inclusive porque falta um ambiente tranquilo e seguro pra transar. É no banheiro da balada, no carro, no quarto sob o risco de os pais chegarem a qualquer momento. Aos 24 anos, não deve ter sido o caso dela. Pelo seu relato, imagino também que ela tenha tido intimidade com o namorado, que não se sentiu pressionada, que treinou bastante nas preliminares. Então…

Na primeira, segunda, terceira vez é comum o tal incômodo. Mas ele deve passar em alguns minutos após a penetração e o término do sexo. Não durar por horas e dias. Muito menos por UM MÊS. Tudo bem não ter orgasmos ao longo desse período – infelizmente mulheres com décadas de vida sexual ativa nunca tiveram unzinho sequer. Agora continuar sentindo dor, mesmo relaxada e bem lubrificada? Pode ser desde uma “simples” infecção à uma complicada endometriose.

PRECISA procurar um(a) médico(a) ginecologista pra contar exatamente o que está sentindo e fazer exames. Certa vez uma garota com recém-completados 20 anos, de origem humilde, me procurou com a seguinte dúvida: “Perdi a virgindade há um ano e meio, tenho um corrimento verde desde essa época e muita dor toda vez que faço sexo com meu namorado. Você acha normal?”.

Fico estarrecida que a sua amiga seja ENFERMEIRA formada e se recuse a passar por um profissional da saúde. Talvez tenha vergonha de dizer que não é mais virgem, de ser julgada pelo médico, de que a ~notícia~ se espalhe. Agora vale a pena conviver com essa dor que pode trazer consequências como infertilidade – e até ser “mortal” por outras razões? Fala pra ela: “Cuide de si para continuar cuidando das pessoas”.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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