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Como saber se você está num relacionamento abusivo

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Como saber se você está num relacionamento abusivo

Na reta final do Big Brother Brasil 2017, o “doc” Marcos acabou eliminado pela direção do programa depois de uma briga com Emilly. Aos gritos e dedo em riste, ele encurralou a namorada (?) na parede. Ela já tinha reclamado, em outras situações, dos beliscões e apertões que Marcos lhe dava.

Embora alguns espectadores não tenham visto “nada de mais”, foi a gota d’água para que as redes sociais denunciassem a violência e pressionassem a Rede Globo – baixou até delegada nos estúdios. Emily caiu em prantos ao receber a notícia, defendeu Marcos e se sentiu culpadíssima. Como se sentem as mulheres em relacionamentos abusivos, sem sequer perceber que estão em um… Então como descobrir?

  • Você é diminuída: louca, burra, feia etc.

Mais fácil identificar quando ele te xinga, debocha e diz com todas as letras coisas como: “Vai se f*der, sai daí que você não sabe nem dirigir um carro” ou “Cala boca, você não sabe o que tá falando” ou “Já se olhou no espelho? Tanta mulher dando mole, não sei o que eu tô fazendo com você”. E talvez ele faça isso na frente de outras pessoas pra te humilhar/constranger mais ainda.

As violências moral e psicológica nem sempre acontecem de forma tão explícita. Ele pode ser sutil e te desqualificar sem alterar o tom de voz ou usar palavrões. Você fica com aquela sensação de que é um lixo, não entende nada e nunca será boa o bastante. Pra ele, você vive fazendo drama, enxergando pelo em ovo, tendo ideias sem sentido.

  • Você é controlada.

Deve seguir as regras impostas por ele, dar satisfações o tempo todo e “provar” que está obedecendo. Por exemplo, ele determina com que amigas você pode ou não sair – “aquela não, tá solteira, é má influência”. Você se vê na obrigação de perguntar se pode almoçar com uma prima “porque pode dar problema”. Ele “autoriza”, mas pede que mande uma foto sua com ela no lugar “pra ter certeza”. Exige as senhas de email, redes sociais, celular etc e cobra explicações sobre coisas como “o fulano que curtiu a sua foto”.

Quer checar a fatura do seu cartão de crédito e os seus gastos. Não aceita que você faça cursinho porque é ambiente “promíscuo”. Avisa que “mulher minha” não anda de decote nem batom extravagante, não samba nem bebe álcool, não ganha salário maior nem pode trabalhar depois de ter filhos. A possessividade e o ciúme doentios são justificados com o discurso do “quem ama cuida” ou “se não ficar em cima, já viu, né?”. Então, se “você fizer tal coisa” é sinal de que “não me ama” e “vou embora”.

  • Você é amedrontada.

Fica aflita porque qualquer coisa pode desencadear um comportamento agressivo. “Melhor não contrariar”, você pensa. Imagina se ele chega em casa e o jantar não está pronto? E se você disser que não quer passar o final de semana com os pais dele? Ou que não gosta quando ele bebe demais? Ou que está cansada e não quer transar? Você passa a agir sempre para agradá-lo, mesmo que isso desrespeite as suas vontades.

  • Você é isolada.

Ele começa a criticar (e te jogar contra) a sua família, os seus amigos, o seu trabalho. “Repara como a sua irmã morre de inveja de você”, “Se seu pai gostasse mesmo de você, ajudaria a gente a comprar um apartamento”, “A sua coleguinha de trabalho vai te passar a perna e ser promovida”, “Nossa, esses seus amigos são muito infantis”. Ele manipula as situações para que você acredite que a opinião dele estava certa e se afaste das pessoas. Porque, afinal, você não tem nada a perder se ficar apenas ao lado dele: “Ninguém se preocupa e te ama como eu”.

  • Você é fisicamente ameaçada. ­­

Quando fica irritado com você, ele joga coisas contra a parede, chuta portas, berra, te encurrala, dá empurrões, aperta seus braços/punhos pra que você não consiga se mexer, segura seu rosto entre as mãos, some com as chaves de casa pra você não fugir. Talvez não tenha deixado hematomas, mas deixou bem clara a potência de sua força física. Em outras palavras, “o próximo saco de pancadas será você”, “não me tire do sério de novo, entendeu?”.

  • Você é fisicamente agredida e chantageada.

Por desconhecimento ou ignorância, a maioria da população entende a agressão física como a única forma de violência propriamente dita. O tapa na cara, o chute nas costas, a facada no peito, o estupro… Como se as outras dores, sem marcas visíveis, fossem bobagem e mimimi feminista. Ele te proíbe de contar o que aconteceu a outras pessoas (“em briga de marido e mulher ninguém mete a colher!”), diz que vai te matar se for à delegacia e infernizar a sua vida se você quiser a separação.

  • Você se sente culpada.

Ele diz que “você provocou”, que “estava de cabeça quente”, que seria “incapaz de bater numa mulher”. Pede desculpas, promete que nunca mais vai se repetir e – por um tempo – vira o cara mais carinhoso do mundo pra se redimir. Você se sente mal, acredita que nada teria acontecido se você não tivesse feito/falado isso ou aquilo. A VÍTIMA JAMAIS É RESPONSÁVEL PELA AGRESSÃO. Não importa se ele estava muito estressado nem o motivo. A VÍTIMA JAMAIS É RESPONSÁVEL PELA AGRESSÃO.

Se você percebeu (ou desconfia) que está num relacionamento abusivo, compartilhe sua angústia com alguém de sua confiança. Além disso, você pode ligar para a Central de Atendimento à Mulher no 180 ou procurar uma Delegacia da Mulher.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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