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Thammy: cinco dicas para entender transexualidade

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Thammy: cinco dicas para entender transexualidade

Rolou babado, barulho e confusão na internet quando a revista “Mais JR” divulgou imagens de Thammy Miranda sem camisa. Desde a cirurgia para retirada das mamas – porque “não aguentava mais conviver com aquilo” – e a intensificação do tratamento hormonal, é a primeira vez que o ator aparece em público de peito aberto. Separei alguns dos comentários transfóbicos atacando Thammy nas redes sociais para explicar cinco coisas que você PRECISA ENTENDER SOBRE TRANSEXUAIS.

1. “Não sou contra a opção sexual de ninguém, mas…”

Vixe, vários problemas numa frase só. Primeiro que a pessoa não ESCOLHE ser gay, lésbica, bissexual. Do tipo “ai, legal, vou aderir a essa moda” – como se estivéssemos falando de jeans detonado ou cropped. A gente NASCE com uma ORIENTAÇÃO sexual e percebe com o tempo para onde se dirige o nosso afeto (homens, mulheres, ambos). Assumir ou não depende do ambiente em que crescemos e ads nossas próprias crenças: se sou filha de uma família conservadora e acredito que me sentir atraída por alguém do mesmo sexo é pecado… então provavelmente vou sofrer/esconder essa verdade.

Fora isso, transexualidade NÃO É uma orientação sexual (hétero, homo, bissexual). Agora eu preciso desenhar porque é difícil mesmo. Imagine um bebê que acabou de ser parido, ok? Do ponto de vista biológico, vamos olhar para os genitais: se tem pênis, é macho; se veio com vagina, é fêmea. Daí esse pequenino virou uma criança de quatro anos bem confusa. Porque dentro da cabeça, se sente menino e não entende porque as pessoas lhe tratam como menina. Querem lhe botar vestidos rosas, fazer matrícula no balé e encher de bonecas. Pede aos pais que lhe cortem o cabelo curtinho, odeia os seios, sonha em ter uma barba.

Para a sociedade, a relação entre sexo biológico e identidade de gênero (feminino e masculino) é direta. Vagina-menina, pênis-menino. O que fazer, então, quando essa pré-adolescente chega constantemente chorando para a mãe e diz “eu não quero ter esse corpo, eu não me reconheço, eu queria ter nascido homem”? Percebe agora que não tem nada a ver com orientação sexual? Transexuais não acordam um belo dia determinados a “mudar de corpo/comportamento” para chocar a sociedade! Eles apenas não se sentem adequados ao gênero atribuído ao genitais. Exemplo: “não sou mulher só porque nasci com vagina, não me enxergo dessa forma”.

2.       “Ela nasceu com vagina, então nunca vai ser um homem”

Hum, então somos definidos como homem/mulher de acordo com nossos genitais e características femininas/masculinas que nosso corpo apresenta? Um exercício rápido só pra eu ver se entendi o raciocínio. Uma mulher que nasceu sem útero e ovários é o que exatamente? Um homem? Uma aberração da natureza? Uma adolescente com distúrbio de ovários policísticos que se depara com o crescimento de pelos na face não pode ser considerada uma menina? Ou um garoto com excesso de peso ou problemas hormonais, que desenvolveu enormes mamas, deixa de ser garoto?

Thammy Miranda nasceu com uma vagina, por exemplo. Mas se sente (e portanto É) homem, mesmo que você ache que ele nunca será um. Thammy recorreu à cirurgia para “retirada” dos seios e ao tratamento hormonal para que o corpo se adapte à identidade interior dele. Claro que isso eleva a autoestima, reduz quadros de ansiedade e depressão etc. Dizer “só falta botar um pau agora pra não precisar de vibrador” é, no mínimo, de uma ignorância infantil. Thammy tem dedos e boca, certamente sabe que 7 em cada 10 mulheres não gozam com penetração – só conseguem orgasmo com estímulo do clitóris. Se quiser submeter-se a um bisturi para transformar sua vagina em pênis será muito mais por uma questão estética/emocional do que funcional (nem todas as cirurgias garantem que o paciente conseguirá ter ereções).

3.       “Vaca, só tá querendo chamar atenção”

Ai, sério. Quem toparia arrancar os peitos, engrossar a voz, aumentar a quantidade de pelos… só pra chamar atenção? Quem adoraria acordar todos os dias com uma enxurrada de comentários transfóbicos e criminosos nas redes sociais? Menos histeria, mais informação.

 4.       “Que Deus tenha misericórdia”

A Bíblia tem várias interpretações. E, como todo texto, cada interpretação diz mais sobre quem interpreta do que sobre quem escreveu. Além disso, lamento dizer, a Bíblia não é um manual unânime sobre como viver no Planeta Terra. Existem vários: Torá, Alcorão, Evangelho Espírita etc. Alguns conduzem suas ações com base no “Minuto da Sabedoria” ou nas previsões astrológicas de Susan Miller. Para as pessoas que sequer acreditam num plano divino, o seu Deus não significa absolutamente nada – muito menos os mandamentos dele. E, inclusive com base no conceito de livre arbítrio, todas merecem respeito por suas escolhas. Fica tranquilo(a) que, se Deus existir mesmo, é tarefa dele julgar e punir como lhe parecer apropriado. Você não precisa se encarregar disso por aqui.

 5.       “Ridículo a mídia falar dela no masculino”

Se o seu nome é Analgisléia, isso te constrange e você pediu às pessoas que te chamem de Ana… o mínimo que podemos fazer é respeitar a sua decisão. Não faria o menor sentido se referir à Thammy como mulher e usar o pronome “ELA”. Não depois de Thammy ter se percebido transexual, encarado a opinião pública, um tratamento hormonal e uma cirurgia para ser reconhecido como homem.

BÔNUS: Só pra atrapalhar mais ainda suas ideias… Thammy não é lésbica. Afirmando-se como homem e namorado uma mulher, é heterossexual. Durma com esse barulho!

***Esta coluna foi originalmente publicada na coluna da Nath no Yahoo. Leia todas aqui. 

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