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Swing ou “balada liberal” – eu fui e conto tudinho

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Swing ou “balada liberal” – eu fui e conto tudinho

Atenção: esta foi APENAS a MINHA experiência. Ela não é verdade universal – portanto, se você tem curiosidade, vá experimentar mesmo! Neste post, o intuito é relatar, com bom humor, como me senti e o que vi numa primeira visita à casa de swing ou balada liberal. Muito provavelmente, descobri que não é a minha praia. Posso mudar de ideia, claro. Mas acho incrível que existam espaços em que alguns casais percebam suas fantasias acolhidas e possam alimentar suas vidas sexuais. Não quero ofender ninguém – até porque tenho amigos frequentadores :) 

***

Era intervalo do jogo do Brasil contra Colômbia quando ela me chamou para um canto e disparou: “Não acredito que você nunca foi a uma casa de swing!” Ri, constrangida, os dentes amarelos. Se me propus a escrever e estudar sobre sexualidade, parecia mesmo imperdoável… “Beleza, vamos combinar qualquer dia”, arrisquei, encarando mais como pesquisa antropológica que realização de um fetiche. “Então vamos hoje”, ela me botou contra a parede. “Assim, nada sexy, de camisa da seleção e sapatilha? ”, tentei argumentar. A amiga fez cara de a única-coisa-que-não-vão-notar-é-a-sua-roupa-querida. O engraçado é que as pessoas imaginam o seguinte: ah, se ela trabalha com isso, com certeza faz penetração pelo umbigo, posição de poodle convulsivo… óbvio que não tem bloqueios nem pudores. SABE DE NADA, INOCENTE! TCHAN! Meu marido não tinha nem digerido a história da fratura de Neymar quando apareci com a notícia igualmente inesperada e assustadora. “Amor, termina logo essa cerveja que a gente vai no swing com eles”, sussurrei. O primeiro olhar de Felipe foi “tá-que-pariu-nathalia-o-que-você-inventou-agora” para depois se transformar em “fodeu-você-quer-dar-pra-outro-na-minha-frente”.

Talvez por nervosismo, encaramos toda aquela situação com humor. Não havia nada de erótico ali. Especialmente porque, além do casal de amigos, outro resolveu se juntar à caravana da putaria. Era pura curiosidade, quase como pré-adolescentes desprovidos de pelos pubianos espiando um peitinho pela fechadura da porta. Dirigimos até o endereço de swing mais próximo, a Vogue Club. Em São Paulo, essas casas se intitulam “baladas liberais” (como não tenho experiência no assunto, ao contrário desta pesquisadora entrevistada aqui, comentem se existem diferenças entre as definições). Meia noite e meia estávamos de pé na esquina, só observando o movimento. Pensei em comprar um cachorro-quente da van na outra calçada, mas considerei que isso brocharia a salsicha dos colegas. “Linda, quem bate um sanduíche desses com purê de batata antes de entrar num swing ?”. Ok, ele tinha razão.

Os carros passavam devagar em frente à fachada imponente. Alguns davam a volta no quarteirão, como se estivessem criando coragem para entregar a chave ao valet. A julgar pelo estacionamento, o público devia ser bem variado. E era, viu? Um confiante casal de 40 e poucos desceu de um Range Rover (loira de vestido colado e saltão; careca de calça e camisa sociais). Outro casal, mais jovem, veio de Palio e caminhou de mãos dadas até a entrada com o medo de quem está prestes a arder no inferno. Aliás, tinham umas senhorinhas tacando alho e empunhando cruzes contra os frequentadores (mentira, essa parte eu inventei). Uma mulher atravessou a rua num estilo Julia Roberts antes de conhecer Richard Gere no filme Pretty Woman – tava bem óbvio que ela não tinha, digamos, um relacionamento estável/fixo com o cara ao lado. Ah, tem essa: embora as casas afirmem que garotas de programa estão proibidas, os homens as arrastam para lá porque 1. em algumas, eles não podem entrar sozinhos e 2. o casal paga mais barato (que me lembre, foi uns R$100 para sorrir lá dentro).

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A pixxxta de dança da “balada liberal” que vistei, a Vogue Club (SP).

Taí o que nós encontramos depois de apresentar documentos e ganhar a comanda. Confesso que foi frustrante. Na pista de dança, meia dúzia de mulheres – meio forçadas – dançando em rodinha. Ao redor, numas banquetas, uns casais borocoxô tomando uns drinques. “Pô, cadê teta e pinto de fora? Será que chegamos cedo demais?”, disse pro marido, pedindo que buscasse uma bebida no bar. Um dos nossos amigos, já iniciado, explicou que “o esquema fica atrás da cortina com o segurança”. Era um corredor escuro. Saca a expectativa de quando você encarava o trem fantasma? Então. Só que, ao invés de monstros fictícios, poderiam aparecer rolas por todos os lados. “Fê”, chamei baixinho, ele vinha atrás de mim. “Minha bunda não é de mais ninguém”. Ele não achou graça. Até porque também sentia umas passadas de mão no breu total. A caravana toda riu. Ao fundo, ouvi respirações ofegantes e gemidos. Sugeri que ele encostasse numa parede e me abraçasse por trás, assim protegeríamos nossas retaguardas.

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Ah, então essa era a decoração? Não se enxerga quase nada na sala escura (iluminada para a foto). Só gemidos e respiração ofegante.

A visão foi se acostumando e já dava para ver uns vultos, o contorno de uns corpos, uns sofás com gente. A um palmo do meu joelho, uma mulher estava sentada sobre um cara, de costas pra ele. É, os dois tavam tipo transando. Me aproximei de uma muvuca (e aí eu penso na minha mãe falando que eu devia ser menos curiosa), fiquei na ponta dos pés para enxergar o que rolava dentro do minúsculo cômodo de luz vermelha – uma mulher dando para os caras em fila, um por um. Só notei depois que o povo assistia enquanto batia punheta. Sei lá, me deu troço estranho e quis correr dali. Voltamos para o ambiente da balada. Eu, abalada. Me chamem de careta, mas eu não me senti confortável nem excitada. E, se tem uma coisa que defendo no sexo, é que a gente respeite os próprios limites. Meu marido também estava com ZERO tesão e preferia ter encerrado a noite com aquele breve tour. Acho ótimo quem curte e se diverte. Só não foi o nosso caso.

Convenci-o a explorar a outra parte, iluminada, com uma grande cama redonda no centro da sala. Fomos os seis amigos para lá, prometendo segurar o riso sob quaisquer circunstâncias. Quando nos acomodamos nos sofás, não havia ninguém numa cena explícita. Sinceramente, eu tava torcendo para que uma gostosona e um bonitão se atracassem bem na nossa frente. Eis que, cinco minutos depois, veio o tapa da realidade. Uma mulher de meia idade, gordona, deitou de barriga para cima com seu vestido de lycra curtérrimo. E, do nada, seu companheiro lhe abriu as pernas e caiu de boca. A calcinha dela era um simples fio no rego, coroado no cóccix com um pingente daquele coelhinho símbolo da Playboy. Precisei fingir que estava beijando Felipe para abafar a crise de riso dele. Ai, mano, que vergonha. Não deles! De mim! Por que eu não conseguia assistir sem achar graça?

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Em outra sala, esta iluminada, casais transam sobre a cama redonda. Voyers assistem em pé ou nos sofás que rodeiam o espaço.

A galera começou a se animar. Logo tinha um cara recebendo boquete, outro enfiando a mão pelo decote da namorada (?)… Daí eu morri quando um cidadão surgiu na sala, viu o casal trepando na cama redonda e fez o quê? APERTOU o bico do peito da desconhecida, enquanto a mesma era penetrada pelo parceiro. Felipe me ressuscitou a tempo de ver uma dupla se ajeitando ao lado dos protagonistas. A coisa era meio mecânica, sem beijo na boca, pau com buraco, gemidos fakes. À essa altura, calculo que se somavam uns 30 voyers. Resumindo, muita gente olhando e pouquíssimas praticando. A cena mais autêntica que presenciei foi super discreta. A mulher loira do Range Rover (a única atraente de toda a balada) puxou conversa com uma morena (não, não era eu! pena! Hahaha). Ambas com seus respectivos. De repente, a loira tascou um beijo na outra e a pressionou contra a parede. Vi quando enfiou a mão no meio das pernas da morena. Ficaram se roçando uns minutos, os tiozões apenas sorrindo, orgulhosos.

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O corredor de cabines, sempre no breu total, para casais que preferem certa privacidade.

Saímos de lá um tempo depois, sem que o estímulo tivesse surtido efeito. Talvez se as pessoas fossem bonitonas (para o MEU gosto, porque isso é bem relativo)? Não sei, juro. Tudo leva a crer que, mesmo assim, não é a minha (a nossa). Há também umas cabines para casal, com a privacidade de uma porta, mas não animei como a leitora deste post. Algumas delas tem uma cortininha, que pode ser aberta, caso gostem de ser ligeiramente vistos. E tem ainda umas cabines com buracos, para que as pessoas de fora possam enfiar as mãos. Olha, eu diria que o lugar atende vários fetiches. Na pista da balada, shows de strip masculino e feminino – escala de picância nota 5, vai. Umas garotas “normais” subiram no balcão do bar, se aventuraram no pole dance, desceram até o chão. As bizarras idem. Tô ligada que muita gente alimenta a fantasia sexual só de ir a uma casa de swing e observar as possibilidades. Acho que vou tentar de novo, em outro lugar, porque conosco nem isso rolou. “E aí, preta, vambora?”, Felipe quase implorou. “Só se a gente puder comer um hambúrguer. Ou serve aquele hot dog da van…”.

* LEIA MAIS (alerta: pimenta jalapeño)

– “Transei com o taxista”

– Curiosidade bissexual: significa?

– “Meu marido propôs sexo a três – e foi incrível”

– “Na primeira ficada, pediu fio terra (nele)”

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Comentários
  • Nath,

    Assim como vc, escrevo sobre sexo há anos e nunca fui a um swing (bom, agora vc já foi). Às vezes eu tenho vontade de ir pela curiosidade antropológica/jornalística/etc, mesmo, mas confesso que espero um pouco de “ação”.

    Ao mesmo tempo, sinto que teria um pouco da sua reação, de não me sentir excitada com os outros. Sinto que a coisa é artificial, sabe? A ideia de festinhas particulares me atrai muito, muito mais…

    Como eu sou solteiríssima, doida da cabeça e conheço um ou dois moços que me convidam de vez em quando, de repente eu vou. E interajo. E te conto tudo num sábado de manhã, se você chegar cedo na aula! (mentira, conto lá no blog tb!)

    Beijos!

    1 de agosto de 2014
  • Oi Nat,
    Acho que com todo mundo é assim: quando pensa numa fantasia / tabu, imaginamos com pessoas gatas (no nosso gosto). Não imaginamos que vamos chegar numa casa de swing e ver um tiozão ou uma gordona de meia idade. Então pode acabar sendo um pouco frustrante.. rs!
    E, de certa forma, é até bom ler uma narrativa como a sua, para quando resolver experimentar as coisas, conter um pouco as expectativas
    Beijos!

    2 de agosto de 2014
  • Tenho esta fantazia de querer experimentar o swing também.
    Bjs Nat

    16 de julho de 2016

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