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Somos complexadas: não existe tipo de “vulva normal”

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Somos complexadas: não existe tipo de “vulva normal”

(Getty Images)

“Minha vagina veio mal diagramada de nascença”, ouvi de uma menina com vinte e poucos anos. O grupo de mulheres que assistia minha palestra riu. Um riso nervoso, não debochado. Encorajadas pela confissão, começaram a fazer as suas também: “Genteeee, achei que era só a minha! Morro de vergonha!”; “Meus pequenos lábios ficam pra fora batendo asa, sabe?”; “É tão feia, mas tão feia… que não deixo ninguém fazer sexo oral em mim”. Terminaram me perguntando “como é uma vagina normal”.

Primeiro: elas não estão falando de vagina, o canal interno que recebe a penetração e expele a menstruação. Mas nos acostumamos, por falta de educação sexual, a chamar de vagina aquilo que na verdade é VULVA – a parte externa da genitália feminina. Segundo: do mesmo jeito que não existe um pau/pênis/pipo ~normal~, nem adianta pegar régua e compasso pra descobrir se a sua rachada/xoxota/fifi é ~anormal~.

Como é o peito normal, o nariz normal, o dedo mindinho normal, o cabelo normal? Inventaram padrões de beleza pra tudo, inclusive para o que está entre as nossas pernas. “Se você não se encaixa neles, meu bem, culpa sua. Já pode fazer a mala e se mudar pra uma ilha isolada no Oceano Pacífico”. Ou, claro, gastar uma fortuna em procedimentos estéticos na tentativa de se adequar ao que convencionaram como “bacana / bonito”.

O complexo da vulva é tão lucrativo, galera! Sabem que país é recordista mundial em cirurgias íntimas? Uhum, Brasilzão do biquíni tanguinha e da depilação cavada. O levantamento da clínica Dall’Ago & Manfrim afirma que a procura por aqui cresceu 250% em um ano. Em 2015, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, 12.870 brasileiras se submeteram à labioplastia – redução dos pequenos lábios vaginais. Geisy Arruda foi uma delas, justificando que não queria mais ter uma “couve-flor”.

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Um dos dez painéis do artista plástico Jamie McCartney (Divulgação / The Great Wall of Vagina)

Duas iniciativas gringas GENIAIS questionam essa neurose coletiva e celebram a diversidade das vulvas. Tipo, “tudo bem se a sua não se parece com aquelas da Playboy e dos filmes pornôs porque elas representam apenas UMA PARTE do todo”. Em 2011, o artista plástico Jamie McCartney lançou o incríííível The Great Wall of Vagina, um conjunto de dez painéis contendo 400 vaginas moldadas em gesso. E pode apostar que a quantidade de aparências / formatos diferentes estampados por lá não são suficientes pra contemplar cada uma das vulvas do mundo.

No segundo semestre de 2016, a artista holandesa Hilde Atalanta criou a série de ilustrações The Vulva Gallery . Suas postagens no Instagram ~escandalizaram~ conservadores imbecis / infantis, mas ajudaram milhares de mulheres a amar suas particularidades. Não importa se a vulva é mais gorducha, se os pequenos lábios saltam ou o clitóris é avantajado, se a cor dela é rosinha ou arroxeada…

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Ilustração da artista holandesa Hilde Atalanta (Reprodução / Instagram)
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Ilustração da artista holandesa Hilde Atalanta (Reprodução / Instagram)

Vale o clichê “aceita que dói menos”, né? Se você tá realmente infeliz com a sua vulva a ponto de evitar relações sexuais e pensa em fazer uma cirurgia íntima, avalia com cautela – não como se fosse uma obturação dentária. A indicação médica (necessária) é para casos em que, por exemplo, os pequenos lábios aumentados “repuxam” e causam dor durante o sexo ou facilitam infecções.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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