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“Se eu gozar duas vezes, a transa não foi das melhores”

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“Se eu gozar duas vezes, a transa não foi das melhores”

(Getty Images)

Tenho uma inveja visceral dessa amiga. E ela sabe disso. Há anos, trocamos confidências íntimas, dividindo com a outra detalhes que coram nossas bochechas só de pensar. Num dos nossos encontros, comentei que gozar é, de longe, a maior ânsia sexual das mulheres que me escrevem e assistem minhas palestras. Segundo a pesquisa Mosaico Brasil 2.0, coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo (Prosex/USP) e divulgada no mês passado, 40% das brasileiras têm dificuldades de chegar ao orgasmo. 

Ela deu alguns goles a mais em sua caipirinha, estupefada: “mas é tão difícil assim?”. Havia me esquecido que essa amiga é a exceção das exceções. Orgasmo com ela é coisa para se contar com vários dedos e usar mais de um mão. Não consegue entender como as mulheres fingem – nem pra quê.Depois de ouvir seu depoimento (abaixo), tive vontade de baixar um decreto que a proibisse de gozar tanto assim. Junte-se a mim na campanha pela distribuição de gemidos, como na distribuição de renda. Por um mundo menos desigual também sexualmente falando.

“Sou publicitária, tenho 29 anos. Perdi a virgindade aos 16, com meu primeiro namorado. O sexo era incrível e virou parâmetro de comparação com os seguintes. Já nesta fase descobri o que era o orgasmo, mas demorei para entender que sentia o prazer de um jeito diferente da maioria das mulheres. Percebi quando, nas conversas com amigas, ouvia elas dizerem felizes que haviam gozado na transa. Perguntei: ‘como assim? se eu gozar uma ou duas vezes só, foi péssimo!’.

Posso gozar de cinco a vinte vezes em uma única vez. Geralmente, é um orgasmo mais rápido e menos intenso, mas que rola várias vezes durante a relação. Os melhores, nem tão frequentes assim, são aqueles que me deixam tão cansada e relaxada a ponto de querer parar o sexo. Chego a ficar sem ar e tonta nesses casos, mas aí preciso de bem mais estímulo. Acho que a natureza foi bondosa comigo porque nunca estudei nenhuma técnica, como tantra, por exemplo.

Não calculo quantos orgasmos tenho por relação. Nem quero, tenho outras coisas mais interessantes em que me focar. Meu namorado acha estranho quando gozo apenas duas vezes. Ele pergunta se não curti, se estou me sentindo bem… É que, normalmente, mal começa a rolar a transa e já tenho orgamos. Se passam cinco minutos e nada, ele sabe que algo não está normal comigo. E não é uma questão de desempenho do outro, mas uma sensibilidade do meu organismo mesmo.

Gozar tantas vezes me atrapalha também: não me contento com pouco. Parece que meu corpo precisa daquele gozo final que vai me deixar bamba, nem que leve quatro horas pra isso. E nem sempre dá para acompanhar meu ritmo, né? Sexo tem que ser prazeroso. Se não fosse, eu não faria. Essa história de “estou com dor de cabeça, amor” não rola lá em casa.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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