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Paguei para testar a massagem tântrica

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Paguei para testar a massagem tântrica

(Getty Images)

A fachada do sobrado não tinha placa, mas parecia uma simpática clínica de estética num bairro de classe média alta de São Paulo. Estacionei do outro lado da rua pouco antes do horário agendado, 14h. Tomei coragem depois de ver uma funcionária uniformizada abrindo o portão e se despedindo de uma cliente com a maior naturalidade. Ninguém na recepção bem decorada me olhou com cara de “hum, safadinha”, mesmo cientes de que nos próximos minutos eu estaria nua diante de uma desconhecida empenhada em meproporcionar orgasmos múltiplos.

Por que eu estava ali, disposta a pagar R$ 300 por uma hora na sessão de massagem tântrica? Era 2012. Tinha lido numa revista gringa sobre essa terapia, baseada na filosofia budista, que arrebanhava cada vez mais adeptos. Resumindo, ela prega que o sexo virou algo totalmente focado no genitais e precisamos explorar todo o corpo; que a respiração e a troca de energias são fundamentais para atingir o máximo prazer sexual; que não enxergar o orgasmo como um fim ajuda muito a vencer bloqueios e ansiedades. Não há penetração ou relação sexual propriamente dita entre cliente e terapeuta, seja homem ou mulher. Portanto, nada a ver com aqueles anúncios de massagem com “final feliz”…

Resolvi pesquisar se o serviço já havia chegado no Brasil e fiquei chocada com o que descobri: a capital paulista contabilizava, por baixo, oitenta profissionais do ramo – gente ligada à ioga e com formações tão diversas quanto fisioterapia e advocacia. O maior e mais sério espaço de massagem tântrica se chamava Centro Metamorfose e, à época, possuía oito filiais!!! Graças ao tabu, exige-se descrição e a propaganda acaba (ainda hoje) se reduzindo ao boca-a-boca. Os clientes são, principalmente, homens com problemas de ejaculação precoce e impotência, mulheres com vaginismo edificuldade de gozar – muitas por histórico de abuso sexual.

Eu estava curiosa para saber se teria orgasmos múltiplos ou “transcendentais” por meio do tantra. Minha primeira vez não aconteceu lá, mas em um centro bem menos conhecido, indicado pela amiga de uma amiga. No site do lugar, explicavam o procedimento, o que podia ou não acontecer. Escolhi uma das terapeutas pela foto, em vez de um massagista, porque me sentiria mais segura (medo de ficar sozinha num quarto com um desconhecido que manipularia minha pepeka). Dhara me recebeu com um sorriso acolhedor, um jeitão meio hippie aos trinta e poucos anos.

A sala para a qual me encaminhou estava iluminada somente por um abajur, cheirava incenso de sândalo, tinha música instrumental e potinhos de óleos ao redor de um grande futton no chão. Perguntou com uma voz calma e delicada qual o motivo da minha sessão, então indicou a cadeira onde eu poderia deixar minha roupa. Assim, sem preliminares, eu fiquei nua e me deitei de bruços. Não, a(o) terapeuta não fica pelado. Por alguns minutos, pediu que eu fechasse os olhos e prestasse atenção na minha respiração. Eu estava bem mais tensa e constrangida do que minha “modernidade” poderia supor.

Com as mãos besuntadas em óleo quentinho, ela começou a massagear meus pés. Ainda estava tensa, pensando tipo: “o que vai acontecer agora?” e “gente, essa mulher vai realmente tocar meu clitóris?”. Então ela foi subindo para pernas, braços e costas. Uma massagem convencional, frente e verso, por quarenta minutos. O tantra não tem pressa e isso faz toda a diferença. Relaxei e percebi que estava entregue àquela experiência. Dhara passou a deslizar as pontas de seus dedos por todo o meu corpo, com exceção dos genitais, como se fizesse cócegas gentis. Meus pelos arrepiaram numa onda gostosa de excitação. Era como se estivesse “acordando” cada pedacinho – descobri, por exemplo, que a parte de trás do antebraço é capaz de despertar um baita tesão.

Ao contrário do que rola no sexo, podemos nos dar ao luxo de apenas nos concentrar e receber prazer, de um jeito positivamente egoísta. Sem se preocupar em agradar o outro. Quando Dhara se aproximou da virilha, senti que teria um orgasmo mesmo que ela jamais encostasse um dedo nas minhas partes íntimas. Mas ela encostou, fazendo devagar vários movimentos circulares, pequenas pressões e “beliscadas”. A respiração já estava tão ofegante que não dava mais pra conter os gemidos. Devo ter tido uns trêsorgasmos sem que ela introduzisse nadinha na vagina, não falasse uma baixaria ou beijasse de língua. Suas mãos e seu silêncio, sua cara de quem estava moldando um vaso de barro tamanha naturalidade.

De repente, cochilei. Após alguns minutos ela me dissesse baixinho: “Tudo bem? Está na hora de você ir”. Me ofereceu uma toalha para tirar o óleo do corpo numa chuveirada. Não tenho certeza se sai caminhando ou flutuando. Passei o cartão de crédito com o sorriso no canto dos lábios e aproveitei para marcar um horário como presente ao meu marido. Voltei uma semana depois, com ele a tiracolo, e fiquei aguardando num sofá enquanto outra mulher lhe proporcionava prazer. “Que coisa maluca!”, ele me disse a caminho de casa. “Não dá pra explicar”. É como pular de paraquedas: faltam palavras pra descrever o que acontece dentro da gente.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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