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“Orgasmo no parto normal pode acontecer”, diz estudiosa sueca

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“Orgasmo no parto normal pode acontecer”, diz estudiosa sueca

(Thinkstock)

Ingrid Karlsson é uma senhora sueca muito alta e loira. Esbarrei com ela enquanto passeava por painéis científicos no Congresso Mundial de Saúde Sexual (WAS), em 2013. Ali, entre uma palestra e outra, especialistas de todo tipo expunham seus trabalhos. Ao lado do marido, Ingrid distribuía panfletos e explicações. Estiquei minhas orelhas, curiosa com o espanto de quem a ouvia. “Orgasmo no parto? Não é possível… Meu inglês deve estar mesmo enferrujado”, pensei eu, que ainda não sou mãe. Sempre tive muito medo da dor do parto normal, especialmente depois de ter me casado com um japonês cabeçudo – anseio pelo diâmetro craniano de um bebê que sequer foi encomendado.

Mas, então, jamais imaginei que alguém pudesse ficar excitada nas contrações ou no “vaaaaaai, empurra”. Não fossem as ótimas credenciais de Ingrid, eu teria duvidado. Acontece que ela tem formação como enfermeira, terapeuta social e parteira (na parte nórdica do planeta, há qualificação acadêmica). Desde 2008, se debruça sobre esse tema-tabu para alcançar o Doutorado em Sexologia. Ela não apenas quer provar que algumas mulheres sentem prazer, em vez de dor, ao dar à luz. Ingrid quer ensinar técnicas para que outras também passem por essa experiência se desejarem.

Calma. Vamos por partes que bebês não costumam escorregar do útero para a vida num segundo. Na Suécia, onde Ingrid atua, o parto normal é bem mais comum do que no Brasil. Por aqui, as cesarianas significam quase 40% do total de partos por ano, segundo o Ministério da Saúde. Nas maternidades mais disputadas de São Paulo, esse número ultrapassa 80%. A taxa sueca é de aproximadamente 16%, sendo que apenas metade dessas mães pediram a cirurgia; o restante teve que se submeter por razões médicas. Ou seja, lá mais mulheres preferem que a criança venha ao mundo pela vagina.

Para ter as sensações orgásticas de que Ingrid fala, também não basta escolher o parto normal. É preciso encarar o parto NATURAL, sem interferência de remédios ou anestesias. Ela conta que, ao longo da carreira, viu e ouviu muitas mulheres expressando prazer na hora H. Algumas comentaram, surpresas, sobre o que havia acontecido. A maioria, no entanto, sente vergonha e culpa. Mesmo que não tenham provocado nada daquilo. “Elas guardam para si porque existe um tabu sexual em relação à mulher, especialmente quando o bebê deveria ser o foco daquele momento”, diz Ingrid, que entrevistou dez mulheres. “Na nossa cultura, parir tem uma conexão profunda com a dor. Parece que, quanto maior a dor, mais heroína essa mãe é”.

Como a ciência tenta explicar essa polêmica? Em primeiro lugar, dor e prazer estão intimamente ligados. Não à toa tanta gente é adepta de práticas sadomasoquistas – chicotes, agulhas, velas derretidas… Além disso, como Ingrid explica, “hormônios como a oxitocina tem grande influência durante o parto – assim como na excitação sexual e no orgasmo numa relação a dois”. Ok, estou convencida de que é possível. Mas fico me perguntando se apenas algumas mulheres nascem com essa capacidade de transformar um urro de “aaai” num espasmo de “aaah”.

Uma das entrevistadas contou sobre a frustração que sentiu no parto do segundo filho, quando o esperado orgasmo não veio. Ingrid investiga se qualquer mulher pode ter prazer nesse momento historicamente sofrível – ou se só algumas são privilegiadas. A ideia dela é formatar uma cartilha com técnicas que orientem parteiras e casais interessados nessa alternativa. A despeito de todos os julgamentos histéricos que devem vir nos comentários desse post, eu adianto que acho super válida a iniciativa de Ingrid. Houve um tempo em que ninguém tinha a opção de parir “com ou sem dor”. Por que não podemos evoluir para “com ou sem prazer”? A decisão, assim como o corpo, é de cada uma.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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