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“Ô abre alas / Que eu quero passar”

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“Ô abre alas / Que eu quero passar”

Cenas inventadas de um Carnaval que vem aí – qualquer semelhança não é mera coincidência.

A malagueta, toda trabalhada na fantasia e no batom vermelho, vai subindo a ladeira atrás do bloco. Aquele vuco-vuco suado, cheirando a cerveja, no ritmo das marchinhas. Tá delícia, tá legal. E lá vem ele, vestido de Branca de Neve, que dois minutos antes mijava no poste. O rapaz chega pegando na cintura dela pra alcançar o cangote: “Tempera a minha vida, gata”. Um xaveco besta pra cacete – no Carnaval pode. Beijo na boca, mão na mão, mão n’aquilo, aquilo na mão. Os dois se atracam num banheiro químico pra colocar aquilo n’aquilo. Nunca se viram, nunca mais se verão.

Ele bota a serpentina pra fora da calça:

– Ô abre alas / Que eu quero passar….

Ela, que é politicamente incorreta mas muito consciente, saca uma camisinha do sutiã.

– Aqui é VIP, meu amor. Seu pau só entra se tiver abadá.

***
A malagueta-orgulho-da-titia-Nath sabe que pereba na xoxota em plena quarta-feira de cinzas é cilada. Vai pensando que é só passar uma pomadinha, vai… Algumas doenças sexualmente transmissíveis, as DST’s, podem gerar deformações genitais e até infertilidade. O HPV, por exemplo, é uma das principais causas do câncer de colo de útero. Ai, gente, é muita dor de cabeça por uma trepada desprotegida – mesmo que ela tenha sido bafônica. Vou poupar vocês das imagens grotescas que povoaram a minha infância. É que a minha mãe, psicóloga que trabalha há mais de 20 anos dando diagnósticos para quem pegou DST’s e AIDS, me mostrava o material usado em suas palestras. Uns pintos povoados de verrugas, uns corrimentos nojentos em vaginas… Se tiver coragem, dê um Google em palavras como “gonorreia” ou “cancro mole”. O pavor funcionou comigo desde cedo. Também no caso da AIDS.

Naquela época, ouvi várias histórias de pacientes da minha mãe que definharam até a morte. Mesmo assim, devo confessar, cresci achando que isso era coisa de gente ignorante e pobre. Até que três pessoas próximas do meu círculo social, absolutamente insuspeitas, contaram: “Sou portador do HIV”. Um deles é idoso e casado há décadas. Todos contraíram em suas farras sexuais sem camisinha – não sabem quando foi nem de quem pegaram. Daí você me fala: “Ah, mas eles estão vivos!”. Ãhã, numa rotina filhadaputa que inclui ingerir dezenas de remédios diários (o coquetel que TENTA combater a doença), internações por causa da baixa imunidade e toda espécie de exames. Não, a vida deles não é normal. Só em 2011, segundo o Ministério da Saúde, foram notificados quase 39 mil NOVOS contaminados com o vírus HIV – já são mais de 600 mil desde 1980.

Além das DST’s e da AIDS, a camisinha evita a visita da cegonha, né? Porque esse negócio de ficar tomando pílula do dia seguinte, meu bem, uma hora falha BONITO. Ela deve ser usada apenas numa emergência mesmo. Da primeira vez, a eficácia chega a praticamente 100% se você ingerir 24 horas após a relação “desencapada”. O problema é repetir o uso – quanto mais você usa, maiores as chances de ela não funcionar! Fora que a carga gigante de hormônios (entre seis e 20 vezes mais que um comprimido de anticoncepcional comum) pode provocar vômitos e sangramentos. As outras opções são aborto e maternidade independente, ambas com consequências profundas…

Então, que toda folia seja assim: mete o pé na jaca e o pau na camisinha.

 

Este é o primeiro post do Especial Camisinha pré-Carnaval 😉

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Comentários
  • Parabéns Nath. Seu blog é bafônico. Já li praticamente todos os post, entro todos os dias e fico ansiosa pela próxima postagem. Me identiquei com muitos posts e até mostrei alguns para o meu marido. Beijos querida e uma boa e consciente folia para todos nós.

    25 de fevereiro de 2014
  • Só não te peço em casamento, porque seu marido e o meu namorado não iriam gostar! Você arrasa, sempre! <3

    25 de fevereiro de 2014

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