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“Não quero mais ser viciada em pornografia”

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“Não quero mais ser viciada em pornografia”

*Paolla pediu ajuda no Yahoo Respostas, mas não imaginava que eu escreveria um texto inteirinho para ela…

“Sou viciada em pornô, não consigo ficar mais de um dia sem ver essas porcarias. Eu sei que é feio para uma mulher ver isso. Mas é como um vício em drogas, não consigo parar. O pior é que me dá mais tesão do que transar. Tipo, quero parar pela minha religião, por mim e por respeito aos meus pais. E não quero que meu namorado se separe de mim – porque ver pornô é traição, né?! Antes que eu me ferre, o que posso fazer? ”

Querida, antes que você considere se internar voluntariamente num rehab, vamos conversar sobre o seu depoimento. Por partes. Porque ele me dá muitas pistas da sua angústia.

1. “Sou viciada em pornô, não consigo ficar um dia sem ver essas porcarias”.

Nem pesquisadores do assunto chegam num acordo para definir se existe, de fato, um vício por pornografia. Como nenhum manual médico categoriza como distúrbio sexual, doença psiquiátrica… tá mais para “compulsão”, uma vontade irresistível de assistir putaria. Diferente do vício em drogas, por exemplo, que traz realmente alterações físicas e mentais. E como é que a gente pode diagnosticar quem tem ou não esse problema? Hum, talvez se perguntando o seguinte: A) esse comportamento tá fora de controle, é difícil de parar?; B) te causa sofrimento?; C) você faz isso quando está estressada, entediada, triste ou para esquecer algum outro sentimento/situação?; D) você deixa atividades do dia a dia para ver vídeos sacanas ou perde a concentração quando está tentando fazer outra coisa (estudar, arrumar a casa etc)? Apenas gostar de se excitar e se masturbar com pornografia, mesmo que com frequência, não é motivo para procurar um tratamento. Desde que não tome conta do resto da sua vida, claro. A maioria das pessoas consegue beber uma taça de vinho, reconhecer o próprio limite e parar. Mas outras não, e sentem sérias consequência do hábito.

2. “Eu sei que é feio para uma mulher ver isso”.

Quem disse? Esse pensamento é bem retrógrado e machista. Mulheres têm tanto direito ao prazer quanto os homens – seja pelo sexo, pela masturbação ou pela pornografia. Aliás, eu super indico para moças com baixa libido (sem tesão) que leiam contos eróticos, vejam putaria e toquem siririca. Faz com que descubram o que as excita, que fantasias gostariam de realizar, como curtem ser tocadas. Faz com que pensem no vuco-vuco e, portanto, desejem colocar em prática. Com criatividade, já que o repertório aumenta.

3. “Me dá mais tesão do que transar”.

Faz bastante sentido no seu caso. Na internet, você pode escolher a categoria de sexo que quer ver, pode parar um vídeo brochante por outro mais tesudo, não precisa ter medo de que a sua fantasia ou sua masturbação sejam julgadas por alguém. Fora que a pornografia costuma ser beeeem mais obscena e “proibida” do que o sexo não-virtual (às vezes, sempre do mesmo jeito e no mesmo lugar). Seu bofe é um só, não se compara à variedade dos atores pornôs. E talvez ele não seja tão sarado, não tenha o pau tão grande nem a mesma pegada forte. Pode ser, ainda, que você não se sinta tão à vontade para gozar com ele quanto se sente sozinha. Tipo “o que ele vai pensar se eu pedir isso, disser aquilo? ”.

4. “Quero parar pela minha religião”.

A maioria das religiões costuma ser castradora, taxar a sexualidade como pecado e nos ameaçar com o inferno. Eu já abri mão de ter um latifúndio no céu, se você quer saber. O seu pastor e os seus pais não tem nada a ver com algo tão íntimo. Até porque desconfio que a sua igreja não permita sexo antes do casamento e, bem, você disse que transa com o seu namorado… Um estudo científico divulgado em 2014 concluiu que pessoas religiosas tendem a acreditar mais que são “viciadas” em pornografia do que aquelas que não têm o mesmo fervor. Independente do quanto assistam ou do impacto negativo em suas vidas. O nome disso é culpa cristã.

5. “Não quero que meu namorado se separe de mim – ver pornô é traição, né? ”

Você se separaria se soubesse que ele assiste pornografia? Acho meio bizarra essa ideia de que se masturbar sozinho, consumir putaria ou até sonhar (!) com outra pessoa sejam consideradas traição. É supor que podemos controlar totalmente quem amamos, o que acho ilusório e doentio. Eu agradeceria se o cara terminasse comigo por causa disso. “Já vai tarde”.

6. “Antes que eu me ferre, o que posso fazer?”

No mundo ideal, procurar um psicólogo ou terapeuta sexual. Mas nem todo mundo tem tempo e grana para deitar num divã toda semana. Minha dica básica seria instalar aqueles filtros de conteúdo. Digita no Google e baixa algum desses softwares. Assim o seu computador vai monitorar a navegação na internet e bloquear o acesso aos sites pornográficos. Óbvio que você não pode se boicotar – se sabe instalar, saberá desinstalar. Vale mais como um freio, um lembrete. Especialistas no assunto também recomendam abstinência: sem pornô nem masturbação por, no mínimo, três meses. Toda vez que der vontade, reflita sobre o motivo. Será que é solidão, tédio, ansiedade? Inclua atividades para te distrair e ocupar o tempo em que ficaria diante do computador. Sei lá, uma meditação, uma corrida, um bom livro, uma pia cheia de louça suja…

*Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

*LEIA MAIS:

– Pesquisa sobre assistir pornô traz brasileiras como campeãs no ranking mundial

– Parafilia: fantasias e desejos sexuais fora do comum

– Masturbação feminina ainda é tabu? Ah, se toca!

– Testei a vela beijável – virei Anastasia de 50 tons de cinza

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Comentários
  • Nossa que coisa triste,em pleno 2015 ainda existem muitas mulheres ou minas mais novas que parece ser o caso,se torturando por ter apenas uma sexualidade normal,é realmente uma pena que em nenhum momento ela quis bater de frente com esses “valores” tão castradores,provavelmente ela vai continuar vendo pornô,mas cheia de culpa e remorso,e isso é bem triste,pq ela poderia aproveitar essa experiência,para se conhecer melhor,descobrir a sexualidade dela,seus desejos,suas fantasias,mas infelizmente essa experiência de auto conhecimento vai continuar sendo algo tão negativo na vida dela,um “vício” que ela tem que se livrar de qualquer jeito…

    29 de dezembro de 2015
  • Três historinhas:
    1) Casal a andar na praia, calçadão no domingo. Ela de minissaia mas não muito mini – nada demais em meio a muitas jovens por ali quase despidas. Entra na toalete do barzinho. Sai – carinha de malandrinha – e lhe estende a mão a lhe dar um presente. O coração dele pula uma batida ao sentir a pequena tanga dela, cor de rosa, na mão. Ele amassa a tanguinha, olhando de lado com medo que alguém veja, e enfia-a no bolso, quase com ciúme. Vamos? – diz ela, e caminham. Ninguém sabe que ela está sem calcinha. O cara não caminha – flutua. O mundo poderia acabar em dezessete segundos – quem se importaria?

    2) Outro casal, outra praia, areia, praia de nudismo, Nordeste. Boa moça de família, casada. Incialmente de topless. Sentam em um barzinho, gente em volta. O garçom gagueja que a regra é “todo mundo nu e todo mundo nua”. Ela se levanta – tranquila e infalível como lutador de filme. Ele (o marido) quase que sente os olhares masculinos (e também femininos) a se atabalhoar para não perder nada. Ajeita o cabelo, leva todo o tempo do Universo para puxar o fio da tanga. A esposinha dele a fazer um strip para dezenas de desconhecidos e desconhecidas. Isso devia escandalizá-lo. Mas não. Eles se lembram por anos desse momento, que esquentaria muitas noites de amor ao lembrá-lo.

    3) Mais um casal, hotel de férias. Ele brinca com ela (ela a enxugar os cabelos após o banho) que arranjaria outro, beeem grande, para ela. Ela diz cara-de-sapeca “pequeno é que não dá, não é?” Ela se joga sobre ele, esfrega-se a não mais poder, lambe o que tem direito e o que não tem. Ele a pensar: ela está transando com ele, sim. Mas não só com ele – também está a transar com outro. E isso o leva ao Céu – só neste momento ele nem se importa que o Céu exista.

    Três histórias reais – de uma eu participei. Três momentos de quase-paraíso – e em só um deles houve o ato propriamente dito.
    O melhor do sexo é a conexão – é saber que o que faz o outro voar de sonho é o mesmo que me faz. O orgasmo é parte – importante, mas é parte. “O melhor do sexo é o orgasmo” – errado, errado e errado.

    O filme não muito inocente, a carta proibida-para-menores, o decote que às vezes nem é tão ousado assim – tudo isso, sonhado e curtido a dois – é melhor que vinte orgasmos por obrigação. O que não impede de o orgasmo ser fabuloso também – desde que haja conexão.

    Escrevo por que, por suas colunas, vejo que você tem essa noção errada – de que o sexo é uma espécie de campeonato olímpico de orgasmos – ou, pelo menos, você parece pensar que os homens pensam assim. Bem, espero que reveja seus conceitos. Feliz Ano Novo.

    31 de dezembro de 2015
    • Adorei as 3 situações, só a da praia ainda não fiz com o meu namorado, mas estamos em Canoa Quebrada e vamos resolver isso já já!

      6 de janeiro de 2016
  • Olá não acho traição…. no meu relacionamento apimenta a relação, mas meu marido e eu não vemos juntos kkkkk não sei porque não gosto … adoro ver sozinha. Abraços, virei fã do blog

    5 de janeiro de 2016
  • Acho que o ponto mais relevante para convencer alguém a largar o vício em pornografia são os danos que causam à sua concentração. Seu desempenho para estudar e mesmo pensar no mesmo assunto por muito tempo fica comprometido por conta do banco de imagens que está na sua mente sempre se renovando e ficando cada vez mais hard. Quem é religioso tem problemas até para rezar.

    15 de janeiro de 2016
  • Olá, bom eu não gostava ,pois hj já gosto .Com isso aprendi a conhecer meu corpo e a me tocar.

    Bjs….amado o blog

    19 de fevereiro de 2016
  • Cara na a ver, isso não é vício. Porno é vida, tanto faz ser homem ou mulher. Todos pensam em sexo ao menos uma vez no dia.

    Se for assim eu também sou viciado em pornografia, e acredito que pelo menos uns 90% da população. E quer saber, nem ligo hehe.

    22 de março de 2016
  • o ser humano nao e em serie somos diferentes (se rasguem) agora mentimos pra vivermos bem em sociedade e ta mais e que certo
    seja livre pra ser voce
    ps. nao esqueca da mascara pq a sociedade gosta e de mentiras e enganar da um tesao do caralho

    31 de março de 2016

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