HomeSaúde“Minha mãe exige entrar na consulta ginecológica comigo”

“Minha mãe exige entrar na consulta ginecológica comigo”

filhagineco

“Minha mãe exige entrar na consulta ginecológica comigo”

(Getty Images)

“Tenho 15 anos, comecei a namorar há alguns meses. Nunca fiz sexo, a gente só fica se esfregando e botando a mão dentro da calça do outro. Morro de medo de engravidar. Pedi pra minha mãe marcar um ginecologista pra mim… ela fez um escândalo. Disse que vai entrar comigo na consulta!!! Mas aí não vou falar a verdade nem perguntar nada. E se eu conseguir entrar sozinha, a médica pode contar tudo pra ela depois?”

Não, não pode. Pelo código de ética profissional e por lei, os médicos devem manter sob sigilo aquilo que os pacientes contam – aliás, os resultados de exames também. Converse com a ginecologista sobre isso pra se sentir mais à vontade e estabelecer esse vínculo de confiança. A consulta é um momento de cuidado com a sua saúde, então não faz nenhum sentido esconder informações (tipo ser virgem ou não) por medo do que o médico vai achar. Fora que ele não tá ali pra te julgar, muito menos fazer a fifi e sair contando por aí detalhes da sua intimidade.

O Marco Legal, do Ministério da Saúde, e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garantem a quem tem mais de 12 anos o direito de entrar sozinho (a) na consulta médica. Talvez sua mãe cague pra essa informação, eu sei. A bicha está preocupada, ansiosa, não sabe como lidar com o pânico chamado minha-filha-cresceu-logo-vai-fazer-sexo. Dá um desconto, ok? Minha dica quando a privacidade da adolescente não é respeitada nesse caso: deixe-a entrar na primeira (só na PRIMEIRA!) consulta. É provável que, só de receber sua “autorização”, ela pense “se posso ouvir tudo, não deve ter nada de mais” e se acalme um pouco.

Daí você vai acompanhada e responde às perguntas protocolares… “Por que está aqui?” = “Porque sinto muita cólica menstrual”, “Porque minhas amigas já têm ginecologista” etc. “Tem vida sexualmente ativa?” = Se você já transa, mas não quer falar na frente da sua mãe, tudo bem dizer que não (de novo, só na PRIMEIRA consulta!). Em geral, rola um bate-papo rápido para abrir seu prontuário (altura, peso, regularidade do ciclo menstrual, história de doenças na família e blablabla). Depois, o (a) médico (a) te despacha com pedidos de exames de sangue, urina e coisa e tal. Ou seja, você vai ter que voltar lá em menos de um mês…

No mundo ideal, você poderia falar abertamente sobre o assunto com seus pais. No mundo ideal. Na vida real, a gente sabe que esse canal de comunicação muitas vezes não existe e os jovens acabam mentindo ou omitindo sobre aspectos de sua sexualidade. Então esse intervalo é uma boa oportunidade pra trocar ideia com a sua mãe. Mostrar que você está agindo com responsabilidade, que quer cuidar do seu corpo e tomar decisões acertadas. Argumente que receber um voto de confiança significaria muito. Ouça o que ela tem a dizer, ainda que seja apenas aquele piti no estilo “você não tem idade pra essas coisas”. Procure outro adulto, como uma tia bacana, para te apoiar e convencer sua mãe a ficar na sala de espera. No retorno ao gineco, sendo assim, você teria liberdade para se expor e tirar suas dúvidas. Também tô aqui pra isso, combinado?

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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