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“Me apaixonei por uma garota de programa. O que faço?”

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“Me apaixonei por uma garota de programa. O que faço?”

“Tenho 30 anos e me relaciono com garotas de programa desde os vinte. Nunca vi problema nem me senti um fracassado por não ter capacidade de ‘pegar mulher’. De uns meses pra cá, uma garota com quem tenho saído diz que pretende abandonar a profissão e quer tentar algo fixo comigo. Confesso que também estou apaixonado: ela me entende bem, temos uma excelente sintonia e o sexo então… É algo que beira o Divino. Não tenho preconceito com o fato de namorar uma ex-garota de programa, mas minha família e amigos com certeza encherão o meu saco. O que quero de você é uma dica para poder confrontá-los, afinal não quero deixar escapar a oportunidade de viver um grande amor do lado de uma mulher por causa de mimimi de falsos moralistas”.

Paixão pega a gente desavisado enquanto dobra uma esquina (sem trocadilho). Escolhemos com quem nos relacionamos, jamais por quem nos apaixonamos. Ou esse sentimento arrebatador não nos meteria tanto em roubadas e conflitos internos, né? Não sei o que te fez sair com garotas de programa nos últimos dez anos. Menos ainda se ela optou ou foi levada a ganhar dinheiro proporcionando prazer. Pouco importa: você está decidido a assumi-la, apesar do “mimimi de falsos moralistas”.

O que uma mulher faz com o próprio corpo não define seu caráter. Somos muito mais que nossa decisão de dar no primeiro encontro, de transar com trinta caras por semana, de curtir paus e xoxotas, de cobrar por sexo oral… Em todos os casos, infelizmente, há grandes chances de sermos taxadas de “vagabundas” e não nos encaixarmos no padrão mulher-pra-casar / nora-dos-sonhos. Quero dizer: você não se apaixonou pela garota de programa. Você se apaixonou pela Fulana de Tal que TRABALHA como garota de programa.

Sabe, D*, meu trabalho de conclusão na faculdade de jornalismo foi um livro-reportagem com histórias nada óbvias de prostitutas. Uma das frases que me impactou foi dita num cubículo aonde, minutos atrás, certa jovem havia feito o oitavo cliente do dia gozar. “Você acha que eu gosto de ser esse depósito de porra?”, seguido de um silêncio doído. Outra comparou o vício em cocaína com suas tentativas de largar a profissão: “Várias vezes em que voltei pra dita ~vida normal~, a grana apertou, tive recaídas e perdi namorados”.

Enquanto você se pergunta sobre a reação dos seus familiares e amigos, eu me pergunto se você está preparado pra lidar com outros aspectos e possíveis consequências. Porque a carência emocional e a dureza dessa atividade faz com que muitas garotas de programa se agarrem à expectativa de encontrar um “salvador”. Porque a dificuldade de colocação no mercado formal e o hábito do dinheiro rápido (eu disse rápido, não fácil) também são complicadores. Se você está ciente e convicto, ótimo. Se ela está determinada e traçou estratégias realistas, melhor ainda.

E aí, será mesmo necessário contar assim-de-cara-na-lata sobre o tipo de negócio em que sua namorada atuava? Que chances ela terá de se mostrar e conquistar as pessoas que você ama? Não rola inventar, por um tempo, que se conheceram num bar e ela frilava como recepcionista de eventos? Ok, talvez você prefira jogar a real, sem rodeios. Tipo aquelas declarações vomitadas em que a gente fala rápido e dispensa as vírgulas pra não dar tempo de o outro raciocinar: “oi mãe essa é a Fulana e eu pagava pra comê-la só que estamos nos amando pode botar mais água nesse feijão que ela vem almoçar no domingo com a gente”.

Acho corajoso desde que você 1) seja financeiramente independente para o caso de despejo; 2) saiba contornar surtos de agressividade e todo o sermão que devem surgir; 3) consiga lidar com um rompimento familiar ou com um impossível convívio entra ela e seu círculo social. Preconceito por preconceito, tabu por tabu… os gays que saem do armário dentro de contextos conservadores podem te aconselhar com mais propriedade do que eu. De resto, querido pimentão, o amor é lindo – e o choro é livre.

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