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Gorda na cama ou na capa da revista: é sexy, sim, senhor

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Gorda na cama ou na capa da revista: é sexy, sim, senhor

A blogueira Ju Romano foi a primeira plus size fotografada pela Playboy, ensaio publicado na edição de novembro (Divulgação / Revista Playboy)

Se você frequenta bancas de jornal e livrarias, vai se surpreender com a edição de janeiro da Galileu (Editora Globo). Ainda mais se ela estiver exposta ao lado de publicações femininas tradicionais – aquelas com atrizes/modelos incrivelmente magras e saradas. “O que é um corpo capa de revista?”, provoca o título, estampando uma mulher negra e gorda. Ui, tapa doído na cara da sociedade.

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Edição de janeiro da Revista Galileu investiga a gordofobia, o preconceito ao corpo gordo (Divulgação / Galileu)

A reportagem investiga a gordofobia (aversão ou repulsa ao corpo gordo), um preconceito que aumentou nas últimas décadas. “É difícil reconhecê-lo como tal porque geralmente aparece travestido de elogio ou preocupação – afinal, ‘você tem um rosto tão bonito, por que não emagrece?’”, postou Galileu em sua página no Facebook. “O peso isoladamente não é indicativo de doença”.

Em novembro, a Playboy ~radicalizou~ sua própria trajetória ao trazer um ensaio com a blogueira e modelo Ju Romano. Ela foi a PRIMEIRA plus size fotografada pela revista – e sem retoques nas gordurinhas e celulites. Embora tenha saído na seção “Mulheres que Amamos”, não na capa, precisamos reconhecer o avanço. À época do lançamento, Ju confessou em entrevistas que não aceitou de cara o convite: “Não achei que poderia ter a sensualidade que o leitor da revista espera”.

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Mais uma foto do ensaio com a modelo plus size Ju Romano (Divulgação / Playboy)

Mas, gente, sensualidade é um troço tãããão subjetivo. O que me atrai pode não te atrair. Uma Olívia Palito pode ser a coisa mais tesuda do mundo para uns, enquanto outros salivam por uma cintura que não conseguem abraçar por inteiro. A mina dentro dos padrões de beleza pode ter a autoestima lá embaixo, a gorda pode fazer strip tease sem pudor. Se eu estivesse viajando na maionese, os sites pornôs não teriam categorias para sexo com obesas, os sex shops não faturariam com fantasias eróticas versão plus size.

E, gente, o que consideramos sexy hoje não era sexy séculos atrás ou mesmo em outras culturas. Livros de História e pinturas famosas comprovam. Só que é bem foda pra uma gorda (ou qualquer uma com meia dúzia de dobras) se sentir segura no sexo, por exemplo. Muitas se cobrem, apagam as luzes, evitam posições sexuais. Apostam que o cara as levou pra cama porque “gorda é mais fácil”, “se empenham mais já que não têm muitas oportunidades de transar” etc.

Alguns homens desejam gordas também, mas às vezes se “envergonham” de desejá-las porque “o que vão dizer os amigos?”. Pior: há quem lhes considere ~pervertidos sexuais~ já que “não faz sentido ficarem de pau duro” diante de tamanha silhueta. Uma pressão dessas não recai (pelo menos não com essa intensidade) sobre os caras gordos / barrigudos / fora dos padrões de beleza. Quer dizer, provavelmente vão dizer que uma mulher só está com ele pelo dinheiro. Pesado tudo isso, hein?

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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Comentários
  • Acho bem legal este site. Sempre entro para ler. Acho interessante o fato deste blog ir contra a lealidade dos fatos. Dá para interagir mais. Acho muito chato quando concordo com tudo oque é dito. Não tenho nada para comentar.

    6 de janeiro de 2017
  • Não vejo como obstáculo ter uma relação afetiva com pessoas mais gordas, afinal a sensualidade e a sexualidade esta mais para o lado psicológico e não importa a questão física, já que para mim o mais importante é o envolvimento emocional !!!!

    8 de janeiro de 2017

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