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Faça Amor, Não Pornô

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Faça Amor, Não Pornô

A imagem de um rapaz sarado penetrando seu membro de 25 centímetros feito uma britadeira jamais me animou. Muito menos closes genitais, daqueles em que você enxerga pelos encravados e a anatomia do útero. Impossível lembrar de uma única amiga que vibre com gozada na cara, um clichê dos vídeos pornográficos – embora algumas até topem para agradar o parceiro. Mas descobri que eu gosto de filme pornô. Não qualquer um. Do estilo “porna”, especialmente pensado para o desejo feminino, produzido por diretoras incríveis como Érika Lust. Dispenso esses que me pegam desavisada, depois da meia-noite, enquanto zapeio com o controle remoto. Eles atendem apenas as fantasias dos homens, que nem ligam se a expressão da loira peituda é de prazer legítimo ou fingimento. Adultos (espero!) sabem a diferença entre sexo real e pornô: nem todas as mulheres chegam ao orgasmo nas performances sob gemidos falsos.

Me preocupa a molecada que, cada vez mais cedo, tem acesso ao conteúdo hardcore da internet. Antes mesmo de perder a virgindade. Que referências eles têm? Tripla penetração e anal giratório. Garotas que “adoram” engolir esperma, que não precisam de sexo oral e preliminares para transar, que sublimam suas vontades porque devem atuar como submissas, que curtem surra de pau e xingamento. Não há problema NENHUM naquelas que realmente gostam disso tudo, mas não são TODAS. Aí está o perigo! De que forma esses pré-adolescentes vão tratar as futuras parceiras sexuais de suas vidas? “Eles supõem que as práticas encenadas são o que se espera que eles façam”, afirma Sarah Beall, curadora do “Make Love, Not Porn” (“Faça Amor, Não Pornô” ou MLNP na sigla em inglês).

O movimento tenta vencer essa imagem deturpada do sexo por meio de uma televisão online. Funciona assim: gente do mundo todo filma transas com namorados, amigos ou desconhecidos. Eles enviam o vídeo, que deve ter a autorização dos envolvidos, para o MLNP. Sarah recebe e seleciona aqueles que vão ao ar. Ao contrário dos filmes pornôs, encontrados facilmente em qualquer buscador, esses vídeos trazem sexo com amor, beijo na boca, orgasmos verdadeiros, corpos e práticas com os quais nós nos identificamos… Meses atrás, vi uma palestra da fundadora do movimento, Cindy Gallop. Ela desenvolveu uma cartilha bem-humorada para conscientizar, principalmente, os jovens. A Revista TPM traduziu a cartilha. Olha que máximo…

Comece de cima

Mundo pornô – Tudo que um cara tem que fazer é enfiar os dedos na vagina da mulher e, instantaneamente, ela estará molhada e ansiosa para começar.

Mundo real – É bem mais fácil para um cara ficar excitado quando uma garota vai direto para o pênis, do que é para uma garota quando o cara vai direto para a vagina. Beijar, tocar os seios e lambidas em geral ajudam a deixá-la estimulada. Use como regra: não toque a vagina de uma mulher até que ela peça por isso (mesmo que seja sem palavras).

Na cara?

Mundo pornô – Os homens adoram gozar no rosto das mulheres e elas sentem muito prazer com isso.

Mundo real – Algumas mulheres até curtem gozo na cara. Outras não. É uma escolha totalmente pessoal e está longe de ser uma unanimidade.

Baba, baby, baby baba

Mundo pornô – Saliva por todas as partes, e sempre o máximo possível.

Mundo real – Algumas mulheres gostam de litros de baba na vagina. Outras não. Alguns homens gostam de saliva no pinto. Outros não. Se você não é louca por isso, diga. Se você é, diga também.

Gozando (de verdade)

Mundo pornô – As mulheres gozam o tempo todo em posições em que o clitóris não está sendo tocado.

Mundo real – Tem que haver algum tipo de pressão rítmica sobre o clitóris para fazer uma mulher gozar. Pode ser com o osso púbico, a língua, os dedos ou qualquer outra coisa, mas tem que ser lá.

Como é que é?

Mundo pornô – As mulheres amam ser chamadas de “putas” e “vadias” enquanto transam.

Mundo real – Algumas pessoas gostam de uma conversinha suja e fazem isso naturalmente. Outras mulheres ficam excitadas por termos picantes. Mas não são todas. Se você não gosta do que está sendo dito durante o sexo, dê um toque. Se você gosta, fale também.

Questão de pele

Mundo pornô – A transa é pautada pelos ângulos da câmera. Isso quer dizer que, na maioria das vezes, as únicas partes dos corpos que se tocam são as genitálias.

Mundo real – Uma das coisas boas no sexo é o prazer da pele na pele. É ótimo transar com os corpos colados. O que não acontece muito nos filmes pornô porque atrapalha a câmera, que quer focar a penetração em close.

É das carecas que eles gostam mais?

Mundo pornô – As mulheres não têm nenhum pelo lá embaixo.

Mundo real – Algumas mulheres fazem depilação total. Outras preferem apenas aparar o excesso. Mas depilação precisa ser vista como uma opção, não como regra.

Lá mesmo?

Mundo pornô – Todas as mulheres adoram sexo anal.

Mundo real – Muitas mulheres não gostam de sexo anal, outras amam. Homens, se perguntem como se sentiriam se alguém enfiasse um pinto em vocês. Pois bem… É ótimo quando todos os envolvidos gostam da ideia. Mas nem sempre acontece.

A hora do engasgo

Mundo pornô – No sexo oral, as mulheres adoram ter a cabeça agarrada e o pinto empurrado à força goela abaixo.

Mundo real – Algumas mulheres podem até gostar, mas, baseado em uma amostra não científica, muitas – muitas mesmo – não gostam. Asfixia, sufocamento e ânsia de vômito durante o sexo são tremendamente brochantes. É uma boa ideia checar se ela é a fim disso antes.

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Comentários
  • Ótima discussão sobre o sexo real e o virtual (?) podemos dizer assim?! O sexo pode até não ter amor, pode ser apenas por diversão com consentimento de ambos, mas saber respeitar o limite alheio é fundamental. O famoso “se um não quer, dois não brincam” deveria ser respeitado. Imagino quantos homens educados pelo pornô, acham que a parceira deve brincar só porque ELE quer?!
    Não precisa ter amor, precisa ter respeito. Afinal, muitos casais transam dizendo que se amam e o máximo que a parceira recebe é meia dúzia de lambidas antes da penetração.

    24 de janeiro de 2014

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