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Concurso pra bombeira exige Papanicolau e “teste de virgindade”

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Concurso pra bombeira exige Papanicolau e “teste de virgindade”

(Getty Images)

Imagine que você está concorrendo a uma vaga de emprego. Qualquer uma. Seja você engenheiro (a), médico (a), pedreiro (a), professor (a), vendedor (a). Rolou uma prova, o pessoal de recursos humanos analisou o seu currículo e considerou que você é um ótimo candidato. Na entrevista final, seu provável futuro chefe faz uma série de perguntas. “Você raspa totalmente o seu saco / a sua vulva?”, “Quantos parceiros (as) sexuais já teve?”, “É hétero?”, “Tem ejaculação precoce ou dificuldade de chegar ao orgasmo?”.

De acordo com as suas respostas, decidem que você não está apto para o cargo. Não importa que tenha experiência e competência. Simplesmente te eliminaram por questões relacionadas à sua sexualidade. Parece absurdo?Pois foi o que aconteceu no final de julho em um concurso para o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. As candidatas aprovadas seriam, obrigatoriamente, submetidas a exames ginecológicos como o Papanicolau (colpocitopatologia oncótica) para comprovar se eram virgens ou não e se tinham doenças como HPV. As regras não exigiam exames do tipo para os homens aprovados.

A comissão do concurso disse que “não necessariamente” alterações no exame excluiriam uma candidata e que os dados ficariam em sigilo. O laudo ginecológico serviria apenas para atestar a ausência de restrições descritas no edital, tais como tumor de mama e inflamação pélvica. Em nota divulgada à imprensa, a corporação declarou que não era uma medida discriminatória e o objetivo se limitava a conferir a “condição física e laboral” dos concorrentes. Então se o candidato tiver tumor precoce na próstata ou gonorreia, tudo bem? Por que elas precisam estar em perfeitas condições de saúde (sexual inclusive) e eles, não? Desigualdade de gênero? Magiiiiiiiina, né?

Essas regras impostas ferem o direito à intimidade. Vários advogados entrevistados garantiram que, além de imoral, trata-se de algo inconstitucional. Até porque os resultados dos laudos não têm absolutamente nada a ver com a capacidade de uma mulher executar as atribuições como bombeira – apagar incêndios, salvar vítimas de afogamento / acidentes / catástrofes etc. Graças à polêmica ou ao surto de uma autoridade com o mínimo de bom senso, a Secretaria de Segurança Pública voltou atrás e retirou a exigência do edital. Não é a primeira vez que isso acontece em um concurso público, mas espera-se que seja a última. Estamos de olho.

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.
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