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A matemática do amor – ou sobre “perder para ganhar”

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A matemática do amor – ou sobre “perder para ganhar”

Nunca gostei das ciências exatas. Sou questionadora demais para a rigidez das fórmulas matemáticas – ainda desconfio que PI seja igual a 3,14 e acho que a ordem dos fatores altera, SIM, o resultado. Mas eis aqui uma verdade tão trágica quanto dois mais dois são quatro: não podemos ser tudo para o outro. Nem podemos esperar que o outro solucione todas as nossas questões sexuais, afetivas e emocionais. Levei uns bons anos, somando experiências dolorosas, até decorar essa regrinha básica dos relacionamentos saudáveis.

De todas as minhas teorias, a que mais parece se aplicar a X, Y e Z é esta: mesmo nos casais mais felizes, quando o tempo passa e a paixão arrefece, 10% se perdem para sempre. É a fração de imprevisibilidade, aventura e mistério. Amigos(as) e leitores(as) me escrevem para dizer que o “frio na barriga acabou” e as “tentações se multiplicaram”, embora amem muito o outro. Invariavelmente, citam um colega de baia sedutor, uma conhecida paquera da adolescência, um ex-namorado ressuscitado pelo Facebook… Dentro dos corações aflitos, a conta não fecha – mas fazem de conta que tudo bem.

Eu admito o inevitável. Não espero provocar palpitações no meu marido toda vez que chego do trabalho. Não me engano achando que nenhuma mulher desperta desejo nele. Há quem busque em geometrias alheias aquilo que falta na rotina quadradinha de casa. E existe quem consiga lidar numa boa com o que foi subtraído. Esses botam os números no papel e percebem algo de extraordinário: 90% > 10%. É por isso que ficam (ou voltam). Porque certas coisas a gente só ganha quando aprende a dividir a vida. Flerte e sexo casual são deliciosamente excitantes, mas muito menos valiosos que intimidade e cumplicidade.

Quando forças externas ativarem o seu tesão, faça um exercício rápido…

Quanto eu tenho + O que dá para mudar – O que falta

Se o saldo for positivo, talvez não valha a pena correr o risco. E, se você quiser corrê-lo mesmo assim, o que eu devo dizer? Relações não são ciências exatas. São humanas.

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Comentários
  • Adoreeeeeeeiiiiiiiiiiii… Seu texto diz exatamente o que todo mund enfrenta, mas ninguém sabe ainda como lidar com isso. È aquela famosa fase que a “paixão” acaba, e ai o relacionamento se desenvolve em outros aspectos, mas que somos muito ávidos pelo frio na barriga e o tesão pra perceber… Amei seu texto 😉 demaisss

    9 de dezembro de 2013
  • To eu aqui matematicamando…

    9 de dezembro de 2013
  • Muito bom 😉

    10 de dezembro de 2013
  • A verdade é que nao so nos relacionamentos como em outras grandes decisões que tomamos para as nossas vidas, corremos o risco de achar que sempre tomamos a decisão errada e que se tivéssemos escolhido outra mulher ou outra vida a ser vivida seriamos mais felizes. Acredito que isso aconteça porque só conhecemos as infelicidades e problemas das vidas que escolhemos viver ou das companhias que temos por perto.
    Assim 90% pode nos parecer apenas 10 e 10% pode parecer a plenitude, agora o que garante que a escolha esta certa? Como saber se não se está perdendo muito mais?

    10 de dezembro de 2013
    • pois é :/

      10 de dezembro de 2013
  • Bom demais!!! E como a gente vive mais feliz depois que entende essa matemática humana, não é? Vive mais leve e mais livre! Gratidão pelas suas palavras!! =)

    10 de dezembro de 2013
  • SENSACIONAL!!!!!

    10 de dezembro de 2013
  • Enquanto o ser humano não entender que o fator da busca da felicidade está em si mesmo, essas questões não serão resolvidas. Hábito preguiçoso e nada salutar, colocar a responsabilidade da nossa felicidade nas mãos de outrem. Encontrar a minha outra metade! Como posso ter uma outra metade de mim perdida, se metades não amam, pessoas inteiras sim, amam e intensamente e sem eternidade!
    Ah! sim, tudo tem de ser eterno!
    Quando a instituição ‘casamento’ foi criada, com certeza foi feita em caráter de urgência, pois esqueceram de considerar os fatores biológicos, psicológicos, antropológicos e mais todos os lógicos possíveis que se tornou ilógico, e, por isso as contas matemáticas nunca batem. Onde está escrito que devemos ter uma única pessoa em nossas vidas, ou ainda uma de cada vez? Se tiver escrito em algum lugar, com certeza foi escrito pelo homo sapiens e não pela natureza!
    Como a matemática é uma ciência exata, então use aquela parte da Estatística e das Probabilidades, nas quais se aceitam números aproximados e prováveis, mas nunca absoluto e definitivo.

    13 de dezembro de 2013
  • falou td mesmo tenho um relacionamento de 9 ano
    comecei o namoro com 13 anos,e decidimos casar
    eo frio na barriga voltou sera que vai dar certo,sera que ira dura
    ai muitas duvidas

    22 de dezembro de 2013
  • poderia escrever muito e discorrer sobre meus pensamentos, esse assunto da pano para a manga. Acredito que o ser humano gosta de desejar e ser desejado, olhar, imaginar, fantasiar, tudo faz parte do jogo da vida, mas se for la conferir melhor acabar com a relação, a menos que tua relação seja aberta.

    15 de janeiro de 2014
  • Muito real e um pouco assustador. Melhor encarar a real que morrer de medo. Mais uma vez está de parabéns!!

    12 de abril de 2014

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