O vibrador #1 da História: cura para “histeria” feminina

O vibrador #1 da História: cura para “histeria” feminina

Eu vou te contar a história do vibrador e você vai achar que eu tô fazendo graça. É uma verdade tão inusitada que ganhou até filme. Abaixo, o trailer da comédia “Histeria”, de 2012.

Lá no século XIX, uma “doença psíquica” contaminou as mulheres londrinas. Os sintomas eram irritabilidade, ansiedade, falta de apetite, choro, dores de cabeça, fantasias eróticas, excitação. Na verdade, qualquer desvio de comportamento (por exemplo, não obedecer o marido) levava as moças da alta sociedade ao consultório médico. O então famoso Dr. Robert Dalrymple diagnosticava: “Ah, isso é histeria”. Acreditava-se que o problema mental tinha como causa algum distúrbio no útero. O tratamento indicado? Pasmem:longas massagens no clitóris da paciente, feitas pelo próprio doutor, numa maca de seu ambiente de trabalho. E não havia nada de sexual nisso, assim como um exame de próstata nos dias de hoje.

Trailer do filme “Histeria” (Divulgação / Youtube)

Com as mãos, ele executava movimentos repetitivos na vagina até que a “doente” iniciasse uma sessão de “histeria” com gritos e gemidos (hoje encontramos nos dicionários a palavra “orgasmo”). Louvado seja Dr. Robert, aquele gênio. As pacientes saíam calmas que era uma beleza – mas, olha que coisa, os sintomas voltavam dali a um tempo. Pô, até eu encenaria pra ser tratada assim de novo… Só sei que os consultórios lotaram e os médicos passavam horas e horas masturbando raparigas em nome da profissão. Um deles desenvolveu dores crônicas nas mãos. Em 1869, o médico norte-americano George Taylor patenteou o primeiro vibrador, chamado de The Manipulator (algo como “O Manipulador”), uma espécie de massageador que funciona à VAPOR (!!!) para êxtase das senhoras vitorianas.

Precursor do vibrador era usado para “tratar” mulheres supostamente diagnosticadas com doenças psíquicas (Reprodução)

Seria uma broca dentária vintage? A primeira batedeira inventada? Nã-nã-ni-nã-não! Façam reverências, queridas: taí o precursor daquele aparelho que te faz vibrar-ar-ar de alegria. Com o tempo, ele passou a ser vendido e as pacientes podiam se tratar em casa. Acharam a “cura” para o desejo sexual feminino. Dez anos mais tarde, veio a invenção movida a manivela. E, em 1902, uma empresa especializada em equipamentos de cozinha (hahaha) lançou o primeiro vibrador elétrico – que, na verdade, não era anunciado exatamente com esta utilidade, né? Até 1920, embora estivessem já nos lares de famílias, eles não serviam como brinquedinhos sexuais (nem ficavam no criado-mudo). Imagina uma senhorinha batendo claras em neve com um vibrador, gente.

Quando descobri tudo isso, remontando ao episódio dos médicos que passavam o expediente inteiro massageando vulvas, a primeira coisa que me veio à cabeça foi lançar uma campanha “Por homens com tendinite”.Brincadeirinha, hein? Tô prevendo a Associação Brasileira de Ortopedia me escrevendo pra reclamar da apologia a uma doença que atinge blablabla. Óbvio que os vibradores são uma fabulosa invenção, mas e se a pilha acabar, né? O cidadão precisa saber se virar sozinho! E vocês podem retribuir com isso aqui 😉

***Este post foi originalmente publicado na coluna da Nath no Yahoo.

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