“Ele brochou – e eu não sabia o que dizer”

“Ele brochou – e eu não sabia o que dizer”

Estou saindo com um cara há um mês e pouquinho. Ontem, depois de umas cervejas no bar, fomos para um motel. A primeira transa foi rápida, talvez pela tensão e a falta de controle – ejaculou em 5 min após a penetração. Ele disse que ficou nervoso com o fato de ser minha primeira vez no motel e queria que fosse algo legal. Recomeçamos. Eu tava bem mais à vontade e pronta pra arrasar. Ambos empolgados, tudo lindo, camisinha, hora da penetração… de repente – o pesadelo masculino! Eu não sabia como reagir diante daquela cara de decepção por estar louco de tesão e alguma coisa “dar errado” e impedi-lo de continuar “duro”. Fui compreensiva, disse que essas coisas acontecem (embora eu nunca tivesse passado por isso). Era triste ver o quanto ele estava chateado, dizia coisas como “que tipo de homem sou eu”. Percebi que nada que eu dissesse iria fazê-lo sentir-se melhor. A primeira vez no motel, a primeira vez com ele e a primeira brochada. Estou super afim dele e me importei mais com o carinho do que com a ereção em si. Qual a melhor forma de agir nesses casos? Não quero que ele pense que vai brochar na próxima e desista de sair comigo.

Dureza, hein, pimentinha? Quédizê… falta de. Mas, ó, vamos fazer um exercício lúdico e imaginar o que o pau pensou antes, durante e depois desse fracasso. Ele tava lá hibernando dentro da calça enquanto vocês bebiam uma cervejinha no bar. Rolaram uns beijos molhados, uns cochichos safados. O pau acordou, foi se espreguiçando todo, doido pra botar a cabeça pra fora: “vai, caralho, abre esse zíper aê!”. Vocês trocaram uns olhares, pediram a conta e decidiram ir pro motel. O pau tava que não se aguentava, como se o sangue do corpo inteiro estivesse naqueles 15 centímetros (10? 25?) – tipo assim: “É hooooooooje, moleque! Vou botar de lado, de quatro, na banheira, no lustre, na boca”. Paus são empolgados, minha gente. Tomam champagne no gargalo e se acham o máximo no pirocóptero.

Daí vocês entram no quarto, o cara arranca a sua roupa com aquele tesão descomunal e o pau grita na fuça do seu útero: “aaaaaahhh, putaquepariu que delícia, foi bom pra você?”. Primeira evidência de ansiedade excessiva, leitora. Ele gozou em cinco minutos. E quando você fala cinco, nós sabemos que é modo de dizer – foi menos. Duvido da desculpa que ele deu, essa coisa de “queria que fosse especial” pela sua virgindade de motel. Ou ele não trepava há um tempo ou te achou gostosa demais. Ok, esse não é o foco do seu email e vamos discutir sobre ejaculação precoce em outro post. O fato é que, nessa rapidinha, o pau se sentiu mirim e deprimiu porque estava prometendo mil e uma peripécias no desempenho e queimou a largada. Você toda-toda, pronta pra ser recompensada, e o pau choramingando: “garçom, me vê uma injeção de Prozac que eu tô tão pra baixo”.

Existem algumas razões pra explicar uma brochada além das questões emocionais (exagero no álcool ou no cigarro, problemas hormonais, uso de medicamentos ou drogas, estresse). No seu caso, minha linda, eu acho que o cidadão tava diante da mulher que considera incrível (nua!) e queria arrasar na performance. Há quem diga que isso foi uma declaração de amor. Eu prefiro cartão e chocolate que um pau mole, mas fique à vontade para escolher. E mais alguns palpites. Assim como a gente tem umas neuras bestas na primeira vez com alguém (Será que ele vai achar minha auréola muito grande? Vai reparar naquela cicatriz? Exagerei na depilação?), homens também tem. Temem que o pau seja pequeno ou fino demais, por exemplo. O cenário da transa, um motel, me parece ter assustado ainda mais o seu pimentão. Motel tem esse lance de “temos que foder” que gera uma cobrança, né?

E lá se foram três parágrafos sem que eu dissesse qual a melhor maneira de agir nesses casos. Eu já passei por isso, mais de uma vez, com dois caras diferentes. E aposto que uma porrada de leitoras também, simplesmente por um dado estatístico: metade dos homens no mundo já brochou ou vai brochar na vida. Aconteceu? Não adianta ficar empurrando aquela coisa disforme pelo buraco da sua vagina, nem mesmo ousar um sexo oral. Aceite que a situação é constrangedora (muitoooo mais pra ele do que pra você) e desencane do sexo. Nada de piadinhas, de ficar emburrada, de inventar um orgasmo repentino. Não tem a ver com a sua calcinha bege e seu pelo encravado na virilha – recebo e-mails de mulheres que adoram pegar uma culpa pra si. Escorrega pro peito dele, diga carinhosamente que ele terá outras oportunidades e que você não desistiu de dormir de conchinha…

Você tá apaixonada pelo bofe? Melhor eu te alertar que há grandes chances de ele noiar e brochar de novo. Portanto, acho que vocês deveriam desconstruir essa memória ruim. Dá pra transar em um local que não no motel? Mesmo que seja dentro do carro numa rua escura. Percam tempo no amasso, sem nenhuma expectativa de sexo. Assim vocês vão se acostumando com o corpo do outro, ganhando intimidade de um jeito mais natural. Sem isso de “ó, eu tô aqui com as pernas abertas e você precisa deixar seu pau duro”. Sabe aquele beijo despretensioso que foi esquentando, esquentando, esquentando… então, precisa terminar com penetração? Não. Vocês podem usar dedos e língua. Porque a vida do pau, minha querida, não é mole, não.

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21 comentários

  1. Sheila Barretto

    Já passei por um brochada e (como grande parte das mulheres) achei que a culpa era minha, que ele achou meu corpo feio, que eu não fiz o que deveria nas preliminares… E olha que antes desse cidadão nenhum homem havia brochado comigo. Não sei pq mulher age assim, mas é o que mais acontece.

  2. Fabiana

    Fantástico!! Nunca pensei que a culpa fosse minha e passei por isso e a melhor maneira de lidar e dizendo que outras oportunidades virão, chamar para uma chuveirada, fazer e receber uma bela massagem, ir pra hidro, brincar tbm faz parte!!

  3. André Bastos

    Muitos de nós já passou por isto, as vezes nossa culpa, ou problema, outras vezes culpa ou problema da parceira. Eu penso que o ideal numa situação desta seria conversar, ou não, mas nunca reclamar ou humilhar o outro. Afinal de contas somos máquinas de sentimentos e emoções. Interessante lembrar que nós homens devemos treinar e tentar aprender a fazer uma mulher feliz, quando ela estiver disposta é claro.

  4. André Bastos

    Muitos de nós já passou por isto, as vezes nossa culpa, ou problema, outras vezes culpa ou problema da parceira. Eu penso que o ideal numa situação desta seria conversar, ou não, mas nunca reclamar ou humilhar o outro. Afinal de contas somos máquinas de sentimentos e emoções. Interessante lembrar que nós homens devemos treinar e tentar aprender a fazer uma mulher feliz, quando ela estiver disposta é claro. Já ia me esquecendo, Cartão de Crédito não entra neste comentário.

  5. Tina Lisboa

    Arrasou no exercício lúdico, me imaginei o próprio pau, muito bom!
    Acho que suas dicas ajudam muito por serem tão descontraídas e tão sinceras.
    Você é o máximo.

  6. Vitor

    Hahaahha
    Já passei por isso.
    Na primeira, tinha comido muito fomos direto pra cama… Num ia… mas aí parti pra fazer outras coisas e logo subiu! Era parceira fixa!
    A segunda eu nem lembro como foi, mas também voltou depois também!
    Agora a última tava indo numa boa nas preliminares e tal, aí, só tinha uma camisinha e pra evitar um tiro curto, dei uma gozada antes fora e um tempinho depois tava lá 98% duro e pus a camisinha. Bom, camisinha é meio broxante e me atrapalhou um pouco, mas tudo bem. Mas a garota não tava sendo nada excitante e aí fui broxando até ficar impossível de garantir alguma coisa….
    Não tive opção se não usar outra coisa. Num foi fácil essa última…. Mas tenho certeza que grande parte foi uma situação não tão excitante…

  7. Gabi

    Relativizando com/o pau, adorei! Vou mostrar este post pra minha professora de filosofia, tenho certeza que ela vai curtir (: MUITO BOM SEU TEXTO, como faz pra escrever tão bem, igual a sexo, praticando? Descobri o blog um dia desses e tô adorando a maneira descomplicada de falar de sexo e afins…

    Beijo :*

  8. Admir de Oliveira

    Quem nunca broxou que atire a primeira pedra, não tem como explicar uma broxada, ela simplesmente acontece e independe de com quem você esteja, pode ser com uma pessoa na primeira vez como com alguém que tenha muita intimidade, vai por mim, já vivi as duas situações, e tirei de letra rindo e dizendo: é vamos ter que vir aqui de novo para tirar a prova o que aconteceu.

    1. joseph

      Gostei do seu comentario amigo! Eu tbm penso assim. Todos nos homens podemos broxar e nao so uma vez cmo varias. Mas o importante e nao deixar se abalar. Dependemos mt da parceira pra nao ficarmos pra baixo e na proxima ser pior. Pensar positivo e se manter sempre na mesma parceira.

  9. Luciana

    Ainda não passei por uma dessas, do cara brochar, mas eu já brochei na hora do vamos ver, não pelo tamanho da pimentinha ou pela largura dela, mas o cara era daqueles de preliminares zero, prazer da mulher zero, eu quero apenas botar meu bloco na rua e você que se vire. Nada me brocha mais do que um cara que não se preocupa com o meu prazer, oras, sexo deveria ser troca, prazer sozinha eu me dou. Na ocasião eu sai fora e disse sem mais delongas que tinha brochado, que quem sabe a gente teria outra oportunidade, a-tah, essa parte eu disse uma mentirinha, fui fugindo da relação até ele sacar que não rolaria mais nada.

  10. Aline

    ja passei por isso algumas vezes… agi naturalmente, mas meu namorado ficou muito chateado( tipo revoltado meeeesmo) passei um tempinho explicando q era normal e tal, e ele todo p baixo, mas depois de alguns minutinhos… com alguns beijos meios despretensiosos 9 como quem ñ quer nada) ele voltou ao normal e tivemos um sexo gostoso por muito tempo sem parar… Mas a situação eh complicada de ser contornada.

  11. Jesiel

    Realmente é muito constrangedor. Quando funcionava, falhou duas vezes (que eu lembro). Na primeira eu estava muito mal psicologicamente e na segunda…. era parada dura, só os grandes combatentes ou os iniciantes conseguiriam.

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